Review: Tottenham e o mercado

Seria essa a calmaria antes da tempestade? Não importa o quanto de rumores e especulações que aparecem na mídia, seja lá o quão confiáveis eles sejam, essa estagnação no mercado de transferências é frustrante. Claro, não é como se houvesse um Klinsmann dando sopa nesse mercado monótono. Hoje em dia até os jogadores mais jovens estão ignorando a opção de fazer nome num clube como o nosso antes de se transferir para um dos Titans europeus. Deve haver alguma versão mais nova de Berbatov jogando por aí? Alguém que não queira deixar o clube na temporada seguinte, se isso não for pedir demais, afinal lealdade e determinação é o mínimo que podemos esperar.

Será que estou exagerando? Afinal dois anos atrás nós trouxemos Modric, então com certeza o próximo talento está se escondendo nas sombras só esperando nos aproximarmos, ou será que está? Obviamente nós, como torcedores, somos criaturas egoístas e queremos tudo nesse exato momento, AQUI, JÃ, AGORA!

Para cada nome que é mencionado lá começam os debates: “Onde ele se encaixaria no time?â€, “Ele daria certo?â€, “Por que ele ainda não foi contratado?  E tudo isso por que? Por causa de algum rumor mal fundado inventado por algum tablóide sensacionalista? São faíscas que seguimos, por que, como diz o ditado, onde há fumaça há fogo.

Nessa janela houve muitas poucas notícias que pudessem ser seriamente creditadas na categoria “Harry e Levy estavam realmente considerando investir aquiâ€. A exceção talvez sendo Joe Cole, já que Redknapp nos fez o favor de guiar o processo passo-a-passo na mídia. Não que fosse uma surpresa, tendo trabalhado com Cole na sua infância Harry sempre iria tentar ‘repatriá-lo’.

Cole rejeitou continuar em Londres e optou por uma vaga numa posição mais central em Meyerside – algo que Harry sugeriu que fosse seu melhor uso quando elogiando o meia na imprensa. Qual seria o resultado se Cole tivesse vindo para WHL? Dificil dizer. E se os alegados motivos esportivos da transferência significam titularidade garantida, que assim seja. Não vou ficar aqui me lamentando por ele não ter vindo. E, independente do caos em Anfield (Por mais que seus fans queriam mascarar a verdade), lá ele terá uma chance de provar seu valor.

No seu dia um bom jogador, teria sido uma boa contratação se não se importasse em participar da rotatividade do elenco. Agora se os fans do Chelsea (Que o julgavam lento demais) estarão certos, só saberemos assistindo Joe sob o comando de Roy Hodgson, enquanto ele coleta suas 90 mil libras semanais. Um salário astronômico para alguém que passou boa parte dos dois últimos anos no departamento médico. Seria um risco mais ponderável se ele tivesse aceitado nossos 65 mil por semana. Pra não falar que marginalizar Modric para trazê-lo seria estúpido considerando as opções que já temos na posição (Não que um meia que pudesse contribuir com mais gols fosse uma ideia ruim, mas não é uma necessidade).

Mas essa área (meia central ou esquerda) não é uma com que devemos nos preocupar. Contudo duvido que o Sr. Redknapp não tenha as seguintes posições em mente:

- Outro zagueiro: King e Woodgate, por melhores que sejam, terão contribuições limitadas, sendo que o segundo talvez nem volte a jogar. Com grande responsabilidade caindo nos ombros de Dawson e Bassong.

- Um atacante.

Sandro está a caminho. Ainda temos jogadores versáteis que se adaptam em várias funções como Modric, Bale e Kranjcar e alguns mais jovens que podem finalmente ter sua oportunidade como Rose e Giovani.

Muito ainda depende de quem deixará o clube, a janela está lentamente se fechando e ainda temos muitos jogadores apenas tomando espaço no elenco. Então se tudo se resume assim: Quem e quando nós traremos um atacante. Podemos sonhar com astros emergentes (Dzeko) ou jogadores mais provados (Luis Fabiano, Forlan), mas podemos acabar a janela apenas com o problemático veterano Bellamy. Ele tem seus registrados problemas comportamentais e com lesões e representa um risco, um risco barato, mas ainda um risco.

É vital que acertemos nessa contratação, alguém que cause um impacto imediato, capaz de criar gols e convertê-los eficientemente. Se Suarez, por exemplo, seria capaz de tal feito é outra questão. 49 gols na holanda não significa muito. Sem ofensas, mas lá Kuyt marcava gols aos barris, mas na inglaterra ele contribui mais defensivamente do que propriamente atacando.

Nós precisamos de um atacante, certo? Defoe, Crouch, Pav…eles não são o suficiente. Por mais que eu desejasse que ele ficasse é improvável que Keane ainda esteja jogando pelo Tottenham em setembro. E desses três, esperar que eles sejam capaz de desempenhar na Premier League, na Champions League e nas copas parece irrealista. Nós precisamos de mais qualidade e mais quantidade. Pois se chegarmos na fase de grupos da UCL, precisaremos de alguém capaz de penetrar aquelas experientes defesas. Caso contrário podemos nos preparar para ver Defoe sendo assinalado em impedimento durante os 90 minutos em nossa aventura européia.

Então, não ligo se esse silêncio durar contanto que até final do mês que vem os fans tenham motivos para comparecer em massa nas apresentações de 2 ou 3 jogadores em White Hart Lane. Os jornais podem continuar nos ligando com todo e qualquer jogador, contanto que no final completemos o nosso “quebra-cabeça†do Tottenham.

Mesmo com todos sendo tão cuidadosos hoje em dia, é de se imaginar que seria praticamente um suicídio não investir nada nessa Janela, especialmente com um calendário apertado a nossa frente e com muito dependendo do play-off para entrar na fase de grupos.

Quantas vezes em dezembro quisemos que o time contratasse jogadores para consolidar nossa posição e quem sabe dar um passo adiante, apenas para depois nos decepcionarmos? Claro que dessa vez o técnico merece um voto de confiança, considerando o que ele alcançou na temporada passada sem gastar fortunas em nenhuma das janelas. Então em Harry nós confiamos. Certo?