A aventura de Anton Walkes no Atlanta United

De dirigir no lado direito da rua, a ter de lidar com condições climáticas extremas, conhecer outros esportes e, já nesta última semana, realizar seu primeiro jogo como profissional em uma liga. Em entrevista ao site oficial do Tottenham, o jovem Anton Walkes contou o quanto ele está gostando da grande experiência nos Estados Unidos, jogando emprestado pelo clube ao Atlanta United.

O versátil defensor de 20 anos pôde ter uma ideia do que é jogar entre os profissionais na pré-temporada realizada pelos Spurs. Alguns meses depois, ele pôde fazer seu primeiro jogo oficial: na vitória por 5 a 0 diante do Gillingham pela Copa da Liga.

Titular constante das equipes de base do Tottenham nas últimas temporadas, Anton resolveu embarcar em uma aventura totalmente nova em janeiro, quando ele atravessou o Atlântico para se juntar ao novo time de expansão da MLS, Atlanta United, por empréstimo.

É justo dizer que ele já viu de tudo um pouco em poucos meses!

Acostumado a jogar, primeiramente, como zagueiro, Anton pôde já estar presente na primeira partida competitiva da equipe de Atlanta: como mandante, diante do New York Red Bulls em março. Mas a expectativa toda foi por água abaixo, quando ele marcou o gol contra que decretou a derrota, por 2 a 1, de sua equipe.

Mas ele nunca cedeu às adversidades. Continuou seu trabalho e, após mais algumas partidas saindo do banco diante do Montreal Impact e do Vancouver Whitecaps, ele pôde desfrutar de sua primeira partida como titular em uma vitória de 3 a 2 sobre o Charleston Battery, em duelo válido pela US Open Cup, no começo deste mês de junho. Logo depois, ganhou nova chance entre os 11 iniciais pela liga, em partida diante do Colorado Rapids.

Na ocasião, jogou como lateral direito, assim como já havia feito na categoria sub-18 do clube. Anton completou os 90 minutos de jogo em frente a quase 45 mil torcedores, que esgotaram a carga de ingressos no Bobby Dodd Stadium e viram o Atlanta United conseguir uma vitória por 1 a 0.

Naturalmente, ele estava emocionado com a maneira como aquele fim de semana se encaminhou: “Foi uma grande experiência” – comentou – “Marcar o único gol da partida tornou-a bastante difícil. Seria melhor ter matado o jogo, mas são momentos como esses que te fazem ficar concentrados o tempo todo. Acredito que aprendi mais ao terminarmos o jogo daquela maneira”.

“Não sofrer gols é ótimo, especialmente depois de ter cedido dois tentos no meio de semana. Foi um passo grande para mim, me fez abrir os olhos. Trabalho muito duro e acredito que precisamos de algo assim de vez em quando. Foi uma boa experiência e uma motivação para continuar meu trabalho árduo”.

Apesar da pouca idade, Anton já está vivendo em seu próprio apartamento, próximo ao centro de treinamento do Atlanta, desde que chegou nos EUA. Isso significa que tem feito todas as tarefas domésticas por conta própria, sem falar da dificuldade que tem tido com as orientações de trânsito diferentes em relação à Inglaterra.

“O centro de treinamento não é longe do setor principal da cidade. Eu vivo por ali.” – explicou – “Tudo é bem perto e, provavelmente, em média, 15 minutos de distância de qualquer lugar que eu realmente queira ir, então isso também é bom. Estou aqui por conta própria, em um apartamento, mas é uma grande experiência e é para isso que vim. Quero amadurecer e tentar algo diferente. Tem sido um bom desafio. Tenho autonomia para tudo o que faço. Em termos de cozinha, por exemplo: gosto de frango, então qualquer prato que tenha frango me deixa feliz. Só mudo um pouco durante a semana, mas como frango quase todo dia. Não há nada que me faça sentir desconfortável e tenho aproveitado cada momento!”

Uma grande experiência para Antont tem sido a maneira como o clima afeta os jogos nos Estados Unidos. O jogo de Atlanta com Charleston, por exemplo, teve um pequeno adiamento por conta do clima, pois era um dia chuvoso, com relâmpagos. Assim, os habitantes da cidade foram aconselhados a se abrigarem. Além disso, a equipe também já experimentou partidas em que o clima estava ou muito quente ou frio demais ao longo da campanha.

“Essa liga é imprevisível” – disse Anton – “Nesta semana, o clima estava inacreditável. Estava tão quente, que tivemos que fazer pequenas paradas técnicas em cada tempo, para poder reidratar. Mas se você olhar para o jogo que fizemos em Minnesota, no começo da temporada, por exemplo: estávamos jogando em quase 7 centímetros de neve! Acho que tudo é questão de se adaptar. Você nunca sabe o que esperar aqui, então quando vai fazer um jogo fora de casa, precisa estar preparado para o que vier!”

“Há muita viagem envolvida também! Tivemos um voo de seis horas de duração para alguns jogos em que tivemos de viajar para o outro lado do país. Isso é mais do que qualquer uma que já tinha feito na Inglaterra. Se, lá, temos uma viagem de três horas, por exemplo, podemos ir até de trem. As partidas fora de casa, aqui, se tornam um desafio, porque temos que ajustar o período de treinamentos.”

Anton considera que o ex-Burnley, Chris McCann, o meio-campista nascido em Newcastle, Harrison Heath, e o jogador da seleção de base dos EUA, Brandon Vázquez, estejam entre seus melhores amigos no clube. Ele pôde assistir a vários jogos da NBA com eles, além de se familiarizar com outro esporte também.

“Pude assistir a jogos de baseball também” – explicou – “Eu não conhecia muito do esporte antes de vir para cá, mas me inteirando mais do assunto, comecei a gostar. Fui a alguns jogos com meus companheiros de time. Pudemos ver o Atlanta Braves em ação em um jogo como mandante. Fica a apenas 10 minutos de distância. Eles tem um estádio grande, lotado de pessoas. Foi uma experiência muito boa”.

A vitória do Atlanta sobre o Colorado, no domingo, fez com que a equipe, atualmente na sexta colocação da Conferência Leste da MLS, tivesse disputado sua sétima partida como mandante. Anton diz que o apoio dos torcedores do clube tem sido imenso, enquanto ele continua a se desenvolver como um jogador profissional em um ambiente competitivo.

“Todos na cidade têm apoiado bastante e já temos uma das maiores torcidas de equipes da liga, o que é algo a se considerar” – comentou – “Vendemos todos os ingressos em todos os jogos dentro de casa, batendo o recorde de ser o primeiro clube a atingir tal marca. Então é um ótimo sentimento perceber que você tem o apoio de tantas pessoas. Esse período de empréstimo tem sido uma grande experiência de altos e baixos, mas acredito que tudo me tornou mais maduro dentro e fora de campo, especialmente fora, o que acredito que me afetará ainda mais dentro de campo. Tudo isso tem me aberto os olhos sobre como é o mundo realmente e eu só tenho de ir me adaptando para continuar a me desenvolver tanto como pessoa quanto como jogador!” – concluiu.

Matéria original: http://www.tottenhamhotspur.com/news/features/loan-watch/anton-walkes-atlanta-united-loan-colorado-rapids-260617/

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Lucas Colenghi

Mineiro de Uberaba (no Triângulo Mineiro). Licenciado em Letras com Habilitação em Português e Inglês pela UFTM. Tenho 22 anos e as duas coisas que eu mais odeio no mundo são: 1- acordar cedo; 2- escanteio curto. Gostar de futebol é legal até você resolver torcer para um time: com o Tottenham não é diferente.