Clive Allen – “Harry Kane marca gols e você não pode impedi-lo disso”

“Ele apenas queria trabalhar todo dia na sua capacidade de finalização e de marcar gols. Ele fazia gols. Isso é o que me lembro: jogos e gols” – disse Clive Allen, lenda do Tottenham, em entrevista oficial ao site do clube sobre aquilo que Harry Kane apresentava ainda na base dos Spurs.

Aquele jovem (Kane) marcou 17 gols em 20 aparições pela equipe sub-18 do Tottenham em sua primeira temporada inteira na Academia em 2009-10.

Ele ainda continua trabalhando muito, dia após dia, sempre praticando.

Ele também conquistou a Chuteira de Ouro por duas vezes consecutivas.

E ele já tem a marca de 99 gols pelos Spurs.

Ah, e ele foi capitão da seleção inglesa neste mês.

Clive sabia de tudo sobre Harry. Assim como sabia sobre Jermain Defoe, que fazia hora-extra nas sessões de finalização e no próprio treino semanal, logo antes de começar a marcar gol atrás de gol nos fins de semana.

Nenhum outro jogador dos Spurs chegou a marcar mais gols em uma temporada do que Clive Allen, em 1986-87, com 49. E apenas quatro jogadores marcaram mais gols pelo Tottenham do que Jermain Defoe, com 143 gols.

“Jermain já era naquela época e continua sendo um grande exemplo. Ele queria praticar, queria marcar gols. Ele amava aquele sentimento e Harry comprou essa ideia desde muito cedo” – comentou Clive, que marcou 84 tentos em sua passagem pelo Tottenham entre 1984 e 1988.

“Isso é o que o move: gols e mais gols. Ele quer continuar seu desenvolvimento e espero que dure por muito tempo. Prática leva à perfeição e é nisso que ele se baseia”.

“Quando Harry chegou no clube aos 16 anos, ele só queria trabalhar todo dia, particularmente em sua capacidade de finalização. Nós trabalhávamos para isso”.

“Tínhamos competições numerosas nos treinamentos e, de um jeito ou de outro, queria ter certeza de que eu as ganharia, mas ele começou a me bater nelas e, então, eu soube que ele estava no caminho certo”.

“Sua postura, seu ritmo de trabalho… ele merece tudo o que conquistou até agora e acredito que esse é um dos maiores elogios que posso fazer a ele. Ele sempre foi focado e sabia o que queria. Chegou nesse nível com muito trabalho”.

‘Não há garantias’

Sempre houve a certeza de que o caminho de Harry no futebol seria longo.

Ele fez sua estreia na campanha da Europa League em 2011-12 (seis jogos, 1 gol), mas foi emprestado a Leyton Orient, Millwall e Leicester antes de explodir no fim de 2013-14 e, então, se manter nos planos do clube para a temporada seguinte.

“Não há garantias, em idade alguma, não importa o quão talentoso você seja quando jovem, mas Harry tinha a habilidade de fazer gols. Na sua juventude, ele fazia gols e é disso que me lembro: jogos e gols” – disse Clive.

“Havia casos em que não era sua melhor partida, mas se a chance aparecia, ele fazia de tudo para marcar o gol. Sempre estava bem posicionado. Ele melhorou suas habilidades, sua capacidade de marcar gols e continuou a se desenvolver. Ele é muito consistente e, se você espera que alguma chance apareça em um momento chave do jogo, você espera que ela apareça para Harry, pois há uma grande chance de que ele irá marcar!”

“O que as pessoas precisam reconhecer é que, às vezes, as chances são poucas e demoram a acontecer, então você precisa ter certeza de que irá aproveitá-las. Perca uma e você terá obrigação de marcar na próxima – isso é essencial. Se você perde uma chance, você tem de estar preparado para aproveitar a próxima quando ela acontecer. Harry é um grande exemplo disso”.

“Ele pode até perder uma chance, afinal não vai marcar gols em todas, mas você sabe bem que ele irá estar pronto para a que vier depois. É por isso que toda prática, toda repetição no treinamento é tão importante”.

Você não pode pará-lo’

Então, pensando nestes 7 anos em que Harry esteve no clube. Como Clive o vê?

“O que Harry apresenta agora é uma boa técnica, para a qual ele se esforçou em conseguir. Fisicamente, ele está bem desenvolvido e uma de suas grandes qualidades é sua mentalidade”.

“Você pode perceber o quanto ele está focado, ele não se irrita. Os jogadores estão tentando pará-lo a qualquer custo. Os defensores sabem o que ele faz, eles o analisam toda semana: de onde seus gols surgem, como ele faz gols, em que áreas do campo ele marca mais gols, mas mesmo assim você não pode pará-lo. Todos sabem que Harry Kane marca gols, mas não se consegue impedi-lo”.

“Isso é tudo confiança. Colocar as horas de treino no campo. Saber que se você tiver chances, marcará gols. Há momentos em que eu, por exemplo, não fazia uma boa partida, mas marcava o gol quando tinha a chance”.

“Harry chegou a esse nível agora. Ele até pode ter algum momento ruim no jogo, mas se a chance vier, ele marcará. Esses momentos difíceis não afetam sua capacidade de finalização, o que é outra qualidade dele”.

Eu tinha Glenn Hoddle, Harry tem parcerias semelhantes’

Clive pode vê semelhanças entre o time de 1986-87 – visto historicamente como um dos melhores da história do Tottenham – e o de 2017. Clive marcou 49 gols naquela temporada, ajudando-nos a terminar em terceiro na antiga Primeira Divisão, ser vice-campeões da FA Cup e semifinalistas da Copa da Liga. Tão perto, mas também tão longe…

Os 35 gols de Harry em 2016-17 ajudaram o clube a bater diversos recordes na Premier League: a vice-colocação na Premier League, a maior quantidade de vitórias, a maior quantidade de gols marcados e a maior quantidade de pontos obtidos.

Mauricio Pochettino utilizou, também, um sistema tático 3-4-3, recuando Eric Dier para fazer a linha defensiva, com os laterais fazendo estragos pelos flancos do campo e uma grande sinergia entre Harry, Dele Alli, Christian Eriksen e Heung-Min Son. Harry, Dele e Sonny marcaram, todos eles, mais de 20 gols ao longo da temporada e essa foi a primeira vez em que isso aconteceu em uma única temporada na história do clube.

Sabe-se que David Pleat mudou o sistema de jogo durante a temporada 1986-87 para um 4-5-1, com Clive sendo o ponta-de-lança da equipe. Tal sistema foi introduzido numa partida em Oxford, em novembro, e não só trouxe o melhor de Clive para a equipe, como também melhorou o desempenhou de Glenn Hoddle, jogando mais solto, Chris Waddle e Ossie Ardiles. Além disso, auxiliou muito no sistema defensivo da equipe, tornando aquela esquadra muito equilibrada em campo.

“Foi um sistema, em que encaixei bem” – disse Clive, que marcou um hat-trick na estreia e continuou marcando até o fim, inclusive abrindo o marcador na final da FA Cup em maio.

“De novo: como um goleador, é claro que você ganha os elogios, mas é preciso entender, perceber e apreciar tudo o que envolve aquilo: as chances criadas, os seus companheiros de jogo. Vejo muitas semelhanças entre aquela equipe de 1986-87 e o time da última temporada. Os jogadores veem as oportunidades em campo, que sabem destruir uma defesa no um-contra-um, abrindo espaços. Tudo isso contribui para que o atacante tenha chances de marcar gols. Aí, só é preciso estar no lugar certo, na hora certa. Harry, particularmente, faz isso muito bem.”

“Quando os jogadores recebem a bola, você sabe que pode se movimentar de tal jeito, que seus companheiros vão acompanhar. No meu caso, eu tinha Glenn Hoddle, o maior passador que você poderia desejar ter a seu lado. Logo que a bola chegava ao pé dele, eu sabia que poderia me movimentar para tal lugar, que a bola chegaria. Harry também tem esse tipo de parceria com alguns jogadores no time atual e isso é muito importante para o desempenho dele”.

Harry pode chegar aos 49?

Esta é a meta para qualquer atacante do Tottenham: Harry pode chegar a ela? Ele marcou 35 gols, em todas as competições, em 2016-17, mesmo tendo perdido meses de temporada devido a duas lesões, que o tiraram de 8 jogos da EPL. Considerando que ele marcou 7 gols nas suas duas últimas partidas, quem sabe?

“1986-87 foi uma temporada fenomenal e eu nunca a esquecerei. Se alguém vai conseguir bater essa marca ou não… Serei honesto, espero que não! Mas acredito que se alguém pode, esse alguém é o Harry, com certeza. Ele sempre está no lugar certo para marcar gols, tudo é possível!” – assim, Clive finalizou sua entrevista.

Matéria original: http://www.tottenhamhotspur.com/news/clive-allen-feature-on-harry-kane-240617/

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Lucas Colenghi

Mineiro de Uberaba (no Triângulo Mineiro). Licenciado em Letras com Habilitação em Português e Inglês pela UFTM. Tenho 22 anos e as duas coisas que eu mais odeio no mundo são: 1- acordar cedo; 2- escanteio curto. Gostar de futebol é legal até você resolver torcer para um time: com o Tottenham não é diferente.

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