Paga o homem, Levy

Há uns dias vem circulando a seguinte informação: o Tottenham quer renovar o contrato do Harry Kane, reajustando suas bases salariais, mas o atacante só aceita sob uma condição: ser o jogador mais bem pago do elenco. Se considerarmos que Kane ganha entre 50 a 60 mil libras semanais, seria preciso dobrar seu salário para atingir o número desejado. Estou me baseando, aqui, em números retirados de sites como Transfermarkt e, até mesmo, o que circula em alguns tabloides, como o Daily Mail e o London Standard.

Pois bem: tenho que dizer que acho justo esse valor. Por um simples motivo: o cara faz gol. Isso é uma das coisas que parecem óbvias no futebol, mas tem gente que gosta de centroavante que faz pivô, que prepara jogada, mas aí olhamos bem e o jogador tem uma estatística de perder 1 gol debaixo da trave a cada 45 minutos.

Nada contra o Vincent Janssen ou o Roberto Soldado. Mas os caras simplesmente parecem que se sentem mais à vontade dando passes do que fazendo gols. Não pode ser assim, não com um atacante. Nós não buscamos o artilheiro do campeonato holandês para que ele ficasse fazendo parede para quem vem de trás. O desconto que se pode dar a Vincent, é por ser a primeira temporada dele na Inglaterra, temos que dar tempo à adaptação do jogador. Mas só de pensar no fato de que o contexto está muito parecido ao do nosso ex-atacante Bobby, a situação dá calafrios.

Não vou ficar alongando o texto com comparações. Vamos ao que Kane produziu até aqui, sem ter que recorrer a estatísticas, mas ao que realmente vemos no campo a cada jogo: Harry Kane é um atacante incansável, se mata pela equipe em cada jogada, busca até bolas aparentemente perdidas. Além disso, o atacante, há duas temporadas, é, com sobras, nosso artilheiro, garantindo quase sempre com que a rede adversária balance. Com ritmo de jogo, o que costuma acontecer, normalmente, a partir de outubro, em cada temporada, Kane auxilia na movimentação do sistema ofensivo como um todo, permitindo infiltrações de nossos meias, tendo sido um grande parceiro nas estocadas que Dele Alli, por várias vezes, fez quase como um ponta-de-lança para a equipe.

Não sei o que o Squawka diz, mas Kane deve ter feito, pelo menos, uns 875 gols até aqui com nossa camisa. Sim, oitocentos e setenta e cinco. Ironias à parte, o meu ponto foi feito. Harry Kane é nosso melhor jogador no papel. Não interessa se o talento de Christian Eriksen deveria permiti-lo fazer mais pela equipe, se o Erik Lamela é rápido e tem bom drible, se o Heung-Min Son corre mais que todo mundo, se o Dele Alli dá 93 canetas por jogo. Kane foi um dos grandes responsáveis por auxiliar Mauricio Pochettino a receber tantos elogios.

Em conversa com Emerson Araújo, ele veio com o seguinte: “Eu não vejo problema em pagar. É um jogador que lesiona pouco. Tem feito gols nas 2 últimas temporadas… melhor dar mais 60 pra ele do que dar 10 pro Janssen”. Não posso discordar disso. Kane merece ganhar o salário que está pedindo. Se nós não pagarmos, outro time vai pagar. Amor à camisa não existe nessa geração atual do futebol: os caras querem ganhar, seja títulos, seja dinheiro no bolso. Paga o homem, Levy!

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Lucas Colenghi

Mineiro de Uberaba, no Triângulo Mineiro, graduando em Licenciatura em Letras com Habilitação em Português e Inglês. Tenho 21 anos e as duas coisas que eu mais odeio no mundo são: 1- acordar cedo; 2- escanteio curto. Gostar de futebol é legal até você resolver torcer para um time: com o Tottenham não é diferente.

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