O City de Guardiola não é imbatível

Calma. Não se trata de um tradicional e recorrente EMPOLGOU. Conheço muito bem o Tottenham e sua capacidade para nos decepcionar completamente, seja nos momentos decisivos ou naqueles mais improváveis. A questão é que o confronto do próximo domingo, contra o Manchester City, coloca frente à frente os líderes e únicos invictos até o momento na Premier League. Mesmo que a vantagem dos Citizens esteja em 4 pontos, o que obviamente impossibilita um duelo pela ponta da tabela, a partida significa muito para os Spurs. Será possível brigar efetivamente pelo troféu em uma temporada em que os rivais investiram tão pesado?

Olhando apenas as movimentações do mercado, Chelsea, Arsenal, Liverpool e, sobretudo, Manchester United gastaram bastante para qualificar seus planteis e impedir que “azarões” como Leicester e Tottenham sejam os protagonistas da temporada, como no ano anterior. Mesmo que sejamos um time grande e tradicional, não podemos ter a empáfia de recusar o título de azarões. Afinal, nossa última conquista da liga foi há mais de 50 anos e há 8 não levantamos taça nem para brindar. Conhecer as próprias limitações é metade do caminho andado para obter sucesso nas batalhas, adaptando uma lição do simpático Sun Tzu.

Pochettino não se movimentou muito no mercado, tampouco saiu arrombando bancos para reforçar o time. Os Spurs conseguiram fazer valer aquela máxima de que “o maior reforço é não perder ninguém”. E quando você tem um time jovem, com diversos jogadores que se destacam e atraem olhares dos cachorros-um-pouco-maiores (grandes nós também somos), é natural sofrer muito com o assédio. Portanto, a cada fotinha do treinador argentino em sua clássica pose de renovação de contratos pode ser mais comemorada do que uma transferência. Afinal, toda contratação é aposta e a manutenção dos bons valores implica em menor risco (e gasto).

Foto: Reprodução/Mirror
Alguém falou em contrato? Vou te renovei (Foto: Reprodução/Mirror)

O time do Tottenham não investiu como se imaginava e quatro elementos mais importantes foram incorporados ao plantel. Wanyama, Sissoko, N’koudou e Janssen. Se em 2015/16 o nosso treinador fazia toda a rotação do plantel contando com aproximadamente 18 jogadores, agora tem 21. Isso porquê Chadli e Mason fizeram o caminho inverso no CT, deixando o clube. No frigir dos ovos, o plantel foi ligeiramente melhorado, dando condições para que Pochettino faça mudanças mais ousadas na equipe durante os jogos e até tenha condição de descansar os titulares.

Já parou para imaginar se ficássemos sem cinco jogadores importantes do time por lesão como estamos agora? Rose, Dier, Dembele, Mason (Sissoko não estava aqui) e Kane. Poderíamos sentar e chorar, veríamos um time completamente remendado e um banco de reservas formado por juniores. Essa gordurinha no plantel demonstra que estamos mais fortes, mas ainda bem longe de confrontar com um Manchester City. Afinal, trocaram o treinador e este resolveu que não queria usar o goleiro Joe Hart, titular da seleção inglesa, por não ter grandes virtudes no jogo com os pés. Luxos que nós, meros mortais, não temos condições de esbaldar. Ainda bem.

Mas na verdade, a nossa segunda colocação na tabela é até um pouco surpreendente. Não jogamos um grande futebol nas primeiras partidas do ano, à exemplo do acontecido na temporada passada. Entretanto, ter mais opções de jogadores e atletas um pouco mais maduros (um ano faz muita diferença), nos permitiu perder menos pontos e vencer alguns jogos que tradicionalmente sucumbiríamos. Vejamos se essa maturidade se mantém e se a evolução se consolida. A ausência dos craques dos times, Kane e De Bruyne, torna o jogo um pouquinho menos especial, mas nem por isso menos interessante.

Será o duelo de dois times que buscam controlar a partida tendo a posse de bola. Não consigo precisar quem é que vai mudar o seu estilo ou se teremos um embate épico por cada lance. Acredito em muita pressão na saída de bola, urgência para tomar “a criança” e futebol bem jogado. O Celtic mostrou, na partida pela Champions League, que o time de Guardiola não é perfeito, quiçá imbatível. Portanto, vote bem cedo ou deixe a função cívica para o fim da tarde. Porquê as 10h do domingo, todos temos um compromisso inadiável. E independente de quem saia o vencedor, fica de véspera a certeza de um belo espetáculo de futebol. Que vença o melhor (ou o pior), desde que seja o Tottenham.

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Emerson Araujo

Jornalista, aficionado por futebol, torcedor do Cruzeiro (de nascença) e do Tottenham (desde 2005). Orgulhosamente, um dos fundadores da Tottenham Brasil e colaborador do Guerreiro dos Gramados, site voltado a cruzeirenses. Odeia Guardiolismos e acredita que atacante tem que fazer gol. Acredita que todo dia é um 7 a 1 diferente e não há nada de mau nisso. Exímio treinador no Football Manager.

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