Champions League? Estamos de volta!

Tá sentindo esse cheirinho daí também? Sem flamenguismos, estou falando é de Champions League, meu amigo! Cinco anos depois, estamos de volta à melhor competição de clubes do mundo. E cá entre nós, deu saudade demais. Até porquê, o objetivo do clube nos últimos anos (desde que a gestão de Daniel Levy recolocou o clube nos trilhos) é disputar entre os maiores do continente sonhando com a conquista do título inédito. Disputamos o torneio apenas duas vezes na história. Em 1961/62, em que paramos na semifinal, e em 2010/11, onde caminhamos até as quartas. Te convido a relembrar essas participações.

Em 1961, só disputavam a Liga dos Campeões os campeões nacionais. Por isso era tão difícil jogar o certame. Após conquistar de forma irrefutável o título inglês de 1960/61, os Spurs se embrenharam na disputa da taça continental e fizeram um bom papel. Em épocas de um futebol muito mais romântico e ofensivo, foram 21 gols marcados e 13 sofridos em apenas 8 jogos. Estreamos contra o campeão polonês Górnik Zabrze, fora de casa, e levamos ferro. Em 48 minutos, os adversários nos batiam por 4 a 0. Os gols de Cliff Jones e Terry Dyson diminuíram o vexame. Uma semana depois, em White Hart Lane, o time entrou mordido. Com um de Blanchflower, hat-trick de Jones, dois gols de Smith, um de Dyson e um de White, o Tottenham se recuperou mandando um simpático 8 a 1 e se classificando para a fase seguinte.

O inimigo agora era o Feyenoord. Jogando contra mais de 60 mil torcedores no De Kuip, Dyson e Saul abriram 2 a 0. Kreijermaat descontou, mas Frank Saul marcou novamente, jogando uma pá de cal nas chances holandesas. O jogo de volta foi um empate protocolar por 1 a 1, com gols de Dyson (pra nós) e Bennars (pra eles). Nas quartas-de-final, contra o Dukla Praga, da República Tcheca, a coisa não começou bem. Perdemos em território inimigo por 1 a 0, gol de Rudolf Kucera. O fator casa foi determinante mais uma vez, com o White Hart Lane entupido com mais de 55 mil espectadores. Bobby Smith e Dave Mackay abriram 2 gols de vantagem com 15 minutos. Josef Jelinek descontou na saída de bola, após o intervalo. Mas Smith fez o terceiro, Mackay também marcou novamente e o 4 a 1 nos mandou para as semifinais.

O enfrentamento contra o Benfica de Eusébio e comandado por Béla Guttmann foi épico. Mas, infelizmente, terminou com final triste para nós. No Estádio da Luz, Antônio Simões abriu o placar aos 5′ e José Augusto ampliou aos 29′. Bobby Smith diminuiu no início do segundo tempo, mas José Augusto (que mal conheço e já odeio pacas) marcou novamente, fechando o score em 3 a 1. No jogo de volta, 64.448 pessoas viram José Águas jogar água no nosso chope com 16′. A reação veio: Esse Bobby Smith maravilhoso que sai tabelando empatou e Danny Blanchflower virou a partida, no início da etapa complementar. Mesmo com a pressão, o terceiro gol não saiu. E melancolicamente fomos eliminados para o Benfica, que bateria o Real Madrid por 5 a 3 na final e levaria o caneco.

Mesmo com a derrota para o Benfica, os moleque continuaram liso (Foto: Reprodução/Mirror)
Mesmo com a derrota para o Benfica, Blanchflower é apoiado por jovens torcedores. Segundo fontes, os moleque segue liso (Foto: Reprodução/Mirror)

Quase cinco décadas se passaram, mas voltamos à briga na temporada 2010/11. A classificação com o gol de cabeça de Crouch no confronto direto frente ao Manchester City – no City of Manchester Stadium (atual Etihad) – foi a coroação que aquele time tão talentoso merecia. Mas não seria tão fácil disputar a Champions League. Passaríamos ainda por um último teste, o suíço Young Boys, na última eliminatória antes da fase de grupos. Claro que ia ter sofrimento, né. Em Berna, Lulic, Bienvenu e Hochstrasser abriram 3 a 0 com 28 minutos. Uma cabeçada de Bassong e uma patada de Pavlyuchenko diminuíram o prejuízo para 3 a 2. Na volta, Crouch e Defoe acabaram com os suíços. O grandalhão marcou o primeiro aos 5′. Defoe dobrou a vantagem ainda no primeiro tempo. Crouch fez mais dois, completou o hat-trick e nos garantiu na fase de grupos.

Caímos em um grupo bem complicado, com a atual campeã Inter de Milão, os holandeses do Twente e os alemães do Werder Bremen, que foram os primeiros adversários. Os cruzamentos funcionaram contra o time alemão. O zagueiro Pasanen marcou contra e Crouch anotou o segundo dos Spurs, fora de casa. Mas o Werder foi pra cima e buscou o empate, com gols de Hugo Almeida e Marko Marin, em lances pouco felizes do nosso goleiro Cudicini. O primeiro oponente em casa foi o Twente. Após um primeiro tempo muito duro, Van der Vaart (que havia perdido um pênalti) abriu o placar. Pavlyuchenko, de pênalti, fez o segundo. Nosso conhecido Chadli descontou para os holandeses e Vaart foi expulso. Mas com muita luta, Pavlyuchenko (em outro pênalti) e Bale consumaram um 4 a 1 espetacular.

Os duelos contra a Inter de Milão são bem conhecidos. No San Siro, Zanetti fez o primeiro na saída de bola. Gomes expulso com 8 minutos de jogo, Eto’o faz o segundo cobrando pênalti. Stankovic e novamente Eto’o fazem 4 a 0 no primeiro tempo. No segundo, Bale dá três arrancadas fulminantes que só terminam na rede de Julio César. O 4 a 3 deixou o mundo de cabelo em pé. Quem é esse tal Gareth Bale? No jogo de volta, o galês virou realidade. Com uma atuação soberba, destruiu o então aclamado melhor lateral direito do mundo, Maicon. Modric deixou Van der Vaart na cara do gol, marcador aberto. Grande jogada de Bale, cruzamento e Crouch marca de carrinho. Eto’o desconta, aos 80′. Mas em um lance espetacular, Bale arranca do campo defensivo, passa por Maicon, aplica o maior drible da vaca já registrado em Lucio e cruza para Pavlyuchenko escorar para as redes. Três a um em cima do atual campeão europeu.

O jogo seguinte foi contra o Werder Bremen. Desta vez, Lennon comandou o show e o 3 a 0 com duas assistências. Kaboul fez o primeiro, Modric o segundo, Crouch o terceiro. Já classificado, o Tottenham foi à Holanda encarar o Twente com algumas mudanças no time. O zagueiro Wisgerhof recuou para o goleiro Boschker, que deixou a bola passar embaixo do pé, em lance bizarro. 1 a 0 pra nós. Landzaat empatou, Defoe nos recolocou em vantagem. Rosales empatou, Defoe fez 3 a 2. E Chadli (cretino) fez o 3 a 3. O adversário nas oitavas de final seria o Milan. Jogando um futebol muito vistoso, o Tottenham dominou os italianos e venceu por 1 a 0. O gol veio após linda jogada individual de Lennon, que tomou a bola, driblou Yepes e tocou para Crouch, sem goleiro. O goleiro Gomes fez defesas inacreditáveis nesse jogo.

A partida de volta foi desesperadora. O Milan foi para o tudo ou nada e contava com um bom trio de ataque: Robinho, Pato e Ibrahimovic. Não fosse a atuação magistral do sistema defensivo, especialmente do capitão Michael Dawson, nossa jornada poderia ter acabado mais cedo. O empate sem gols nos levou às quartas. Aí a situação ficou complicada. Crouch e Gomes, destaques do time, foram decisivos na eliminação. O atacante sendo expulso aos 15′, quando perdíamos por 1 a 0 (gol de Adebayor). Com outro gol do togolês, uma bomba de Di Maria e um gol de Cristiano Ronaldo, o Real fez 4 a 0. Gomes falhou em 2 gols na partida, mas nada comparado a seu frango histórico no jogo de volta. O chute de CR7 foi de longe, Gomes não segurou e viu a criança morrer no fundo das redes. Foi o fim da carreira do goleiro brasileiro no clube, nunca mais gozou de prestígio junto aos treinadores ou a torcida. E assim acabou, melancolicamente, nossa segunda participação.

Taxi for Maicon, taxi for Maicon, taxi for Maicon, taxi for Maicon (nada mais precisa ser dito)
Taxi for Maicon, taxi for Maicon, taxi for Maicon, taxi for Maicon. Sobre 2010/11, nada mais precisa ser dito (Foto: Reprodução/GoodWP)

Obviamente, não entramos como favorito para a conquista do título. Passar da primeira fase e lutar até o fim no mata-mata já será tido como uma boa campanha, assim como aconteceu em 2010/11. Conhecendo a história do Tottenham, sua tradição (tanto para o bem, quanto para o mal) não é possível afirmar nada. Nosso histórico mostra como sabemos surpreender até os mais experimentados e incrédulos torcedores. Ter 90 mil pessoas em Wembley podem ser um trunfo poderoso para nossas aspirações e certamente criarão um ambiente incomum em todos nós. Até onde pode ir o sonho? Você se presta a responder? Que Lloris, Alderweireld, Rose, Dier, Alli, Eriksen, Lamela, Kane e companhia limitada possam nos dar muito orgulho na temporada. Apoio não faltará.

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Emerson Araujo

Jornalista, aficionado por futebol, torcedor do Cruzeiro (de nascença) e do Tottenham (desde 2005). Orgulhosamente, um dos fundadores da Tottenham Brasil e colaborador do Guerreiro dos Gramados, site voltado a cruzeirenses. Odeia Guardiolismos e acredita que atacante tem que fazer gol. Acredita que todo dia é um 7 a 1 diferente e não há nada de mau nisso. Exímio treinador no Football Manager.

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  • Vinicius de Menezes Moraes

    Com flamenguismos, a final do Mundial de 2017 será Flamengo x Tottenham. Tá liberado se iludir hahahaha Podem printar e me cobrar depois!

    • Carlos Florencio77

      Bom os Spurs já saíram da Champions League.Só faltou vc dizer qual milenio seria.Já o Flamengo tá na libertadores, e isso pode ser possível.Possivelmente Real Madrid, embora eu sou Juve na Europa.

      • Vinicius de Menezes Moraes

        Possivelmente, mesmo milênio quando vc entenderá ironia… 🙂

        • Carlos Florencio77

          Amigo é só zueira. Tb me simpatizo pelo Spurs cara.Não leve a sério isso.