Daniel Levy e o mercado de transferências

Daniel Levy é um renomado homem de negócios. Graduou-se em Economia e Economia de Campo na Universidade de Cambridge, em 1985, com a maior honraria que um aluno do sistema de ensino superior inglês pode receber: o First Class Honour, algo semelhante à láurea acadêmica das universidades brasileiras.

Após concluir o curso superior, Levy teve rápida ascensão no mundo dos negócios. Em 1995, tornou-se diretor administrativo da ENIC International Ltd, uma companhia de investimentos em esportes, entretenimento e mídia.

Em dezembro de 2000, Levy foi nomeado como o presidente de operações do Tottenham, após a ENIC comprar uma parte significativa das ações do clube. Levy é o presidente de operações de um clube da Premier League há mais tempo no cargo.

Mas Levy não ocupa o principal cargo diretivo dos Spurs por acaso. Nascido na cidade de Essex, na região metropolitana de Londres e oriundo de uma família judia, Levy é um fervoroso torcedor do Tottenham desde criança. E desde então, sonhava algum dia poder ajudar seu clube de coração da melhor forma possível.

Daniel Levy no estádio do seu clube de coração: o White Hart Lane. (Foto: Twitter)
Daniel Levy no estádio do seu clube de coração: o White Hart Lane. (Foto: Twitter)

Além disso, preparou-se para assumir o cargo na equipe lillywhite. Ainda por intermédio da ENIC, teve experiência como diretor geral do Rangers, mais tradicional equipe escocesa de futebol. A ENIC possuía uma parte significante das ações do clube.

Nos parágrafos seguintes, serão expostos os cenários dos mercados de transferência do Tottenham na era Daniel Levy, divididos em duas partes: a primeira década à frente do clube, entre 2000 e 2010, e a segunda década como presidente dos Spurs, começando a partir de 2011 até os dias de hoje.

Primeira década (2000-2010)*

*Antes de mais nada, apesar de o ano 2000 pertencer à última década do século XX, ele será incluído nesta primeira década de Daniel Levy no comando do Tottenham. Além disso, Levy assumiu a presidência da equipe em dezembro de 2000, nos últimos dias da década. No entanto, para efeitos de comparação do texto, esta primeira década de Daniel Levy teve 11 temporadas (por conta desta peculiaridade com o ano 2000), sendo a primeira incompleta.

Se hoje Levy tem a imagem de um dirigente sovina, que não abre a carteira para facilitar negociação alguma, saiba que ele já foi considerado um dirigente “gastão”. Considerando a primeira década em que esteve no comando do Tottenham, o clube sempre gastou mais do que recebeu no mercado de transferências. Sem exceções: foram 11 temporadas com mais despesas do que receitas com negociações de jogadores. Todas elas gastando, no mínimo, mais de 7 milhões de libras (tudo dentro do orçamento, é claro).

Vamos então analisar, temporada a temporada:

2000/2001
Despesas:
– £21,88m. Destaque para Sergyi Rebrov que custou 15,3 milhões, vindo do Dynamo Kyiv. Quatro anos depois, o jogador foi liberado de graça para o West Ham.
Receitas: + £2,09m. Valor inclui a venda do então jovem centroavante, Peter Crouch, por 72 mil libras, ao QPR.
Total:
– £19,79m.

2001/2002
Despesas:
– £23,84m. Destaque para Dean Richards, oriundo do Southampton, por 10,33m. Infelizmente, por conta de um problema de saúde no cérebro, aposentou-se 3 temporadas mais tarde. Acabou falecendo em 2011, com apenas 36 anos.
Receitas:
+ £8,29m.
Total:
– £15,55m.

Dean Richards, o primeiro reforço de peso da era Daniel Levy, custou . (Foto: Telegraph)
Dean Richards, o primeiro reforço de peso da era Daniel Levy. (Foto: Telegraph)

2002/2003
Despesas:
– £8,93m. Valor referente a uma única contratação: Robbie Keane, vindo do Leeds, após destacada atuação na Copa do Mundo 2002. Exatamente um ano antes, o Leeds havia contratado-o da Internazionale, por 15,3m.
Receitas:
+ £1,15m.
Total:
– £7,78m.

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Robbie Keane sendo apresentado em 2002. (Foto: TottenhamHotspur.com)

2003/2004
Despesas:
– £25,29m. Destaque para duas aquisições: Jermaine Defoe, vindo do West Ham, por 8,93m e Hélder Postiga, vindo do Porto, por 7,65m. Apenas uma temporada após sua contratação, Postiga foi vendido de volta ao Porto, por 6,38m.
Receitas:
+ £1,49m.
Total:
– £23,8m.

2004/2005
Despesas:
– £40,06m. Diluídos em 17 nomes, como o do zagueiro Michael Dawson, vindo do Nottingham Forest, por 6m de euros, e do volante Michael Carrick, vindo do West Ham, por 3,5m.
Receitas:
+ £8,93m.
Total:
– £31,13m.

2005/2006
Despesas:
– £31,03m. Destaque para a aquisição da dupla Jermaine Jenas, vindo do Newcastle, por 12,75m e Aaron Lennon, vindo do Leeds, por 1m.
Receitas:
+ £19,25m.
Total:
– £11,78m.

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A dupla Lennon e Jenas foi adquirida na mesma janela de transferências, antes da temporada 2005/06. (Foto: Zimbio)

2006/2007
Despesas:
– £51,85m. Para destacar dois dos nomes contratados, cita-se o artilheiro búlgaro Dimitar Berbatov, trazido do Bayer Leverkusen por 13,35m e o volante marfinense Didier Zokora, vindo do Saint-Étienne, por 10,5m.
Receitas:
+ £32,85m. Duas temporadas após ser comprado por 3,5m, o volante Michael Carrick foi vendido ao Manchester United por 23,12m.
Total:
– £19m.

Berbatov sendo apresentado por Damien Comolli em 2006. (Foto: Daily Mail)
Dimitar Berbatov sendo apresentado por Damien Comolli em 2006. (Foto: Daily Mail)

2007/2008
Despesas:
– £80,03m. Tratando-se de uma temporada especial, onde era comemorado o 125º aniversário do clube, o Tottenham investiu pesado no mercado. Darren Bent tornava-se, àquela altura, a maior contratação da história do clube, custando 21m, vindo do Charlton. Além dele, os Spurs ainda apresentaram Gareth Bale (12,5m, Southampton), Allan Hutton (11,05m, Rangers), Younes Kaboul (10,2m, Auxerre), Jonathan Woodgate (9,18m, Middlesbrough), Kevin-Prince Boateng (6,72m, Hertha), entre outros.
Receitas:
+ £19,17m. Uma temporada após ser comprado por 5,75m junto à Roma, o polêmico atacante egípcio Mido foi vendido ao Middlesbrough por 7,5m. Além dele, outro caso curioso: comprado em 2003 por 9m vindo do West Ham, o atacante Jermain Defoe foi vendido, nesta janela, ao Portsmouth, por 8m. Na temporada seguinte, os Spurs readquiriram o inglês por 14m.
Total:
– £60,86m.

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Na temporada que comemorava o 125º aniversário do clube, o Tottenham investiu pesado. Mas só um dos apresentados rendeu o esperado. E como… (Foto: whoateallthepies.tv)

2008/2009
Despesas:
– £121,08m. Com bastante dinheiro em caixa, e tentando reformular seu elenco envelhecido, o Tottenham comprou jovens em atacado. Vieram David Bentley (18,7m, Blackburn), Luka Modric (18m, Dinamo Zagreb), Roman Pavlyuchenko (15m, Spartak Moscow), Jermain Defoe (14m, Portsmouth), Wilson Palacios (12,75m, Wigan), Vedran Corluka (11,7m, Manchester City), Gomes (7,65m, PSV), Giovani dos Santos (5,1m, Barcelona), entre outros. Apenas Modric deu lucro à equipe. Já Defoe deu vários gols à equipe.
Receitas:
+ £74,84m. O Tottenham não conseguiu segurar sua excelente dupla de ataque naquela temporada: Berbatov foi ao Manchester United, por 32,3m e Robbie Keane ao Liverpool, por 20,4m (em 6 meses, Keano foi readquirido por 14,2m). Comprado por 10,2m, Kaboul foi repassado ao Portsmouth por quase a metade, 5,3m. Na temporada seguinte, foi readquirido por 5m.
Total:
– £46,24m.

2009/2010
Despesas:
– £34,26m. Vendido ainda jovem, no começo do século, ao QPR, por 72 mil libras, Peter Crouch voltava ao clube que o formou, pela bagatela de 9m de libras. O zagueiro camaronês Sebastien Bassong foi contratado junto ao Newacstle, por 8m. Duas temporadas mais tarde, foi vendido ao Norwich por 2,5m.
Receitas:
+ £26,95m. Duas temporadas após tornar-se a contratação mais cara da história do clube (21m), o atacante Darren Bent foi vendido ao Sunderland por 10m. Zokora, Boateng e Chimbonda foram outros jogadores vendidos nesta temporada, por valores bem abaixo daqueles pelos quais foram contratados.
Total:
– £7,31m.

2010/2011
Despesas:
– £22,61m. Comprado junto ao Real Madrid por 9m, Rafael van der Vaart foi um dos melhores negócios de Daniel Levy nesta década. O volante campeão da América, Sandro, foi levado do Inter aos Spurs por 8,5m.
Receitas:
+ £2,49m.
Total:
– £20,12m.

Balanço Final

Para o espanto de muitos, a primeira temporada de Daniel Levy à frente do Tottenham foi bastante “gastona”. Em todas as 11 temporadas relatadas, os Spurs gastaram mais do que arrecadaram em transferências. Não só isso, gastaram 7 milhões de libras a mais em todas as temporadas, e, no mínimo 19 milhões de libras a mais em oito destas temporadas.

A cúpula do Tottenham teve muitos acertos durante o período analisado, como por exemplo nas contratações de Gareth Bale, Dimitar Berbatov, Luka Modric e Michael Carrick, que renderam grandes lucros em suas vendas, além do ganho técnico para o time. Os ótimos negócios nas contratações de Robbie Keane, e principalmente Aaron Lennon, são outros acertos a se destacar.

No entanto, houve muito dinheiro mal gasto no período. David Bentley, contratado por quase 19 milhões de libras, nunca se firmou, foi dispensado ao final do contrato e aposentou-se precocemente, com 29 anos. Darren Bent, Vedran Corluka, Roman Pavlyuchenko, Alan Hutton, Pascal Chimbonda, Sebastien Bassong e Didier Zokora são alguns dos péssimos negócios reaizados pelos Spurs na década. Além de não darem retorno técnico, estes jogadores ainda deram grande prejuízo ao time, em termos de valor de transferência.

Segunda década (2011-2017)

Se na primeira década à frente do Tottenham vimos um Daniel Levy mais “gastão”, nesta segunda década o presidente de operações dos Spurs está com a rédea mais firme e controlando os gastos na ponta do lápis. Esta mudança para uma política econômica mais restritiva, deve-se quase que basicamente à construção do novo estádio do Tottenham, que está sendo erguido com dinheiro exclusivamente do clube, sem a necessidade de consórcio, parceria com construtoras, ou empréstimo de algum banco.

Nas 6 temporadas tratadas nesta década, apenas em 2016/2017 o Tottenham gastou mais do que 5 milhões em relação ao que recebeu. Não só isso, em três destas temporada, o Tottenham gerou um lucro com receitas de vendas de jogadores, cenário bastante diferente do que acontecera na primeira década.

Analisemos então, temporada a temporada:

2011/2012
Despesas:
– £8,03m. Tottenham faz duas contratações pontuais para a temporada: o volante inglês Scott Parker, melhor jogador do campeonato inglês na temporada anterior pelo West Ham, por módicos 5m; e o atacante togolês Emmanuel Adebayor, encostado no Manchester City, em contrato de empréstimo.
Receitas:
+ £36,76m. Peter Crouch é vendido ao Stoke City por 9,6m, 600 mil libras a mais do valor pelo qual fora contratado. Wilson Palacios também vai ao Stoke, por 7,5m, cerca de 5m a menos do que foi contratado. Roman Pavlyuchenko também sai da equipe, rumando para o Lokomotiv Moscow, por 7,5m, metade do valor pelo qual foi contratado.
Total:
+ £28,73m.

2012/2013
Despesas:
– £62,26m. Tottenham contrata bons nomes, como o então atacante belga, Mousa Dembélé, do Fulham, por 16m, o goleiro francês Hugo Lloris, do Lyon, por 10,7m, o zagueiro belga Jan Vertonghen, do Ajax, por 10,6m, o meia islandês Gylfi Sigurdsson, do Hoffenhein, por 8,5m e o meia-atacante norte-americano, Clint Dempsey, do Fulham, por 6,4m.
Receitas:
+ £57,61m. Entre as negociações mais importantes, estão as idas de Luka Modric ao Real Madrid, por 25,5m e Rafael van der Vaart ao Hamburgo, por 11m.
Total:
– £4,65m.

2013/2014
Despesas:
– £103,59m. Com o dinheiro da venda de Gareth Bale, o Tottenham apresentou o famoso pacotão de reforços (ilustrado na imagem abaixo) para satisfazer os anseios do então técnico André Villas-Boas. E os nomes foram: Érik Lamela (Roma, 25,5m), Roberto Soldado (Valencia, 25,5m), Paulinho (Corinthians, 16,8m), Christian Eriksen (Ajax, 11,5m), Etienne Capoue (Toulouse, 9,35m), Vlad Chiriches (Steaua, 8,08m) e Nacer Chadli (Twente, 7m).
Receitas:
+ £115,51m. As receitas desta janela de transferências basicamente resumem-se a ida de Gareth Bale ao Real Madrid, por 85,85m de libras, maior negociação da história do futebol até esta temporada.
Total:
+ £11,92m.

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Pacotão de jogadores contratados com o dinheiro da venda de Gareth Bale ao Real Madrid. Da esquerda para a direita: Paulinho, Eriksen, Soldado, Chadli, Capoué, Chiriches e Lamela. (Foto: TottenhamHotspur.com)

2014/2015
Despesas:
– £62,26m. Destaques para a contratação do lateral-esquerdo do Swansea, Ben Davies, por 10,75m, e o meia-central do MK Dons, Dele Alli, por 5,64m. O Tottenham ainda pagou 8,5m para adicionar o zagueiro argentino Federico Fazio ao elenco.
Receitas:
+ £37,53m.
Total:
– £4,65m.

2015/2016
Despesas:
– £60,35m. O Tottenham igualou a maior transferência de sua história até então (25.5m) para tirar o sul-coreano Heung-Min Son do Bayer Leverkusen. Além disso, fez a contratação do zagueiro belga Toby Alderweireld, comprado por 13,6m junto ao Atlético de Madrid, do atacante Clinton N’Jié, vindo do Lyon, por 12m, do zagueiro Kevin Wimmer, vindo do Colônia, por 5,1m e do lateral Kevin Trippier, vindo do Burnley, por 4,2m.
Receitas:
+ £74,44m. Destaques para Roberto Soldado que foi vendido ao Villarreal por 13,6m, Andros Townsend repassado ao Newcastle, por 13,35m e Paulinho que foi para o Guangzhou Evergrande, por 11,9m.
Total: 
+ £14,09m.

2016/2017
Despesas:
– £70,13m. O Tottenham reforçou-se muito bem visando a próxima Liga dos Campeões da Europa: contratou o meia francês Moussa Sissoko, ex-Newacstle, por 30 milhões de libras, maior negociação da história do clube. Além de Sissoko, os Spurs trouxeram o atacante holandês Vincent Janssen (AZ Alkmaar, 18,8m), o volante queniano Victor Wanyama (Southampton, 12,24m), o meia francês Georges-Kevin N’Koudou (Marseille, 9,35m) e o goleiro espanhol Pau López (Espanyol, empréstimo).
Receitas:
+ £40,89m. Nacer Chadli foi ao West Brom e Ryan Mason ao Hull City, ambos por 13 milhões de libras, tornando-se as maiores contratações da história de seus respectivos novos clubes. Com apenas 2 partidas profissionais disputadas em 7 anos de clube, o meia Alex Pritchard foi vendido ao Norwich por 8m.
Total:
– £29,24m.

Balanço Final

Em uma década em que está cuidando com muito mais zelo da saúde financeira da equipe, Daniel Levy faz um trabalho exemplar. Mesmo com a grande economia que ele vem impondo ao Tottenham, o time continua bastante competitivo e com elencos de força semelhante ao que havia no passado.

Assim como foi apontado na primeira década, o Tottenham já teve bastantes acertos nesta década. Chadli foi vendido por quase o dobro do valor pelo qual foi trocado; jogador da base, Ryan Mason rendeu aos cofres do clube uma quantia considerável; além disso, vale ressaltar as pechinchas que acabaram por se tornar nos grandes pilares da equipe: Eric Dier (4,25m), Dele Alli (5,64m) e Christian Eriksen (11,5m).

E claro, também houveram grandes erros de avaliação. Dois grandes exemplos são Soldado e Paulinho. O atacante espanhol, que custou 25,5m, à época maior contratação da história do clube, rendeu pouco mais da metade disso 2 temporadas mais tarde. Já o meia central brasileiro teve um desempenho tão abaixo do esperado, que foi parar no periférico futebol chinês.

Mas há um grande diferencial entre as duas décadas: as categorias de base do Tottenham. Em sua primeira década no comando do clube, Daniel Levy gastou bastante em jogadores (como pôde ser visto na seção anterior). No entanto, Levy também investiu pesado na infraestrutura das categorias de base do clube. E nesta segunda década analisada, o time vem colhendo frutos deste investimento.

O aproveitamento de jogadores da base no elenco profissional aumentou bastante nesta década. Estes jogadores vêm formando a espinha-dorsal da equipe principal, rendendo ótimas receitas em transferências (só nesta temporada foram 21 milhões de libras somadas apenas as transferências de Ryan Mason e Alex Pritchard), e até ajudando na formação da equipe-base da seleção inglesa.

Seja “gastão” ou “turrão”, Daniel Levy é um profissional competentíssimo e que faz excelente trabalho como presidente de operações do Tottenham. Ele nos faz passar raiva com a demora nas negociações e a visível falta de peças no elenco. Mas no geral, e como visto neste artigo, basta esperar, que dele sempre virão excelentes decisões. Não são as mais rápidas decisões, mas são sempre as melhores.

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Fábio Malet

Gaúcho de Porto Alegre, bacharel em Ciência da Computação e analista de sistemas. Apaixonado por esportes, tem o jornalismo como um hobby, e, pretende, futuramente, fazer pós-graduação na área. Acompanha o Tottenham desde o começo da temporada 2002-03, por causa de Robbie Keane, do qual tornou-se fã pelo seu desempenho na Copa do Mundo 2002. No Brasil, torce para o Grêmio desde suas primeiras palavras.