Como sobreviver a uma janela de transferências

A ideia era fazer este texto como um manual de sobrevivência. E logo ao final da última temporada, antes mesmo da abertura da janela. Eis que resolvi dar uma chance para Daniel Levy e seus subalternos na gestão do futebol no Tottenham. Será que, desta vez, as coisas serão diferentes? E assim, o conteúdo foi protelado para o fim do período das negociações. Agora, com tudo resolvido, veio a necessidade de fazer esse balanço. E mais importante: dar algumas dicas para que você não tenha dois infartos perfeitamente evitáveis por ano. Cuide deste miocárdio, cara pálida.

A lição mais importante que todo torcedor do Tottenham precisa saber: Daniel Levy sempre vai arrastar todas as transferências para os momentos finais. Para pagar menos, obviamente. Pressionar clubes adversários, já com a faca no pescoço. O careca raramente pode ser culpado por fazer maus negócios. Mas, constantemente, é apontado como o culpado pela falta destes. Sua política já rendeu ótimos frutos para o clube, ele não vai mudar. Aceite este fato. Entube, também, que pode sempre haver um Wijnaldum no meio do caminho, que opta por outra agremiação por não aceitar esperar as demoradas tratativas. É um risco de se jogar deste modo.

Outro aspecto que remete ao nosso mandatário é sua disposição para abrir a carteira. Levy raramente gasta mais do que arrecada, e por causa disso, o clube cresceu tanto, de modo tão sustentável. Se você duvida, olha o estádio que está sendo erguido sem a necessidade de vender os principais jogadores do time. Se há uma década, o clube precisou se livrar de um dos seus melhores jogadores para um adversário direto, visando se manter competitivo (Carrick, para o Manchester United), essa realidade mudou. E se os troféus não chegam como todos gostaríamos, no mercado de transferências os Spurs são protagonistas.

Na única vez que o clube resolveu chutar o pau da barraca e investir, os resultados foram pífios. Dos sete contratados naquela ocasião (Eriksen, Lamela, Soldado, Paulinho, Capoue, Chadli e Chiriches), apenas dois vingaram. Eriksen de imediato, Lamela após dois anos sofríveis. Todos tiveram ao menos duas temporadas para se provar, consagrando-se em fracassos retumbantes. Principalmente o atacante espanhol e o volante brasileiro. Chadli foi outro que se salvou, mas sua recente saída para o West Brom não deixará saudades. Claro que a culpa maior é de quem referendou estes nomes, o então português André Villas-Boas. Mas tente explicar isso para Levy e fazer o careca abrir a carteira. Vai lá, campeão, tenta a sorte.

Por fim, a dica de ouro: rumores, são apenas rumores. Não importa de onde vem ou a credibilidade que você acredita ter determinada fonte. Na dúvida, eles lançam qualquer boato na esperança de acertar. Ontem, por volta das 17h, veio a grande notícia de que Sissoko já estava acertado com o Everton, porquê os Spurs não quiseram pagar as 30 Elizabeth’s solicitadas pelo Newcastle. Comoção, ódio gratuito, choro e ranger de dentes. Para minutos depois vir a confirmação de que o negro maravilhoso que sai tabelando (Luiz Roberto que disse), era Yiddo. Ainda que torcedor dos Gunners (o que é irrelevante se o desempenho em campo pagar o investimento).

Dez anos acompanhando um clube te permitem conhecer um pouco melhor o modus operandi de seus gestores. Portanto, tenha calma e pare de sofrer por antecipação. Até porquê de nada adianta, efetivamente, nosso planejamento realizado aqui, do outro lado do atlântico. Eles sabem o que estão fazendo e tem muito mais compromisso e responsabilidade com o trabalho do que nós, meros torcedores, supostos conhecedores dos aspectos táticos, econômicos e políticos que regem o planeta bola. E só pra não faltar a “corneta nossa de cada texto”, foi ótimo ter a contratação de um jogador de maior peso, para ver se Alli e Eriksen largam esse hábito de comer feijoada, churrasco e lasanha antes de cada partida. Se preguiça é pecado e o inferno existe, essa dupla disputa ferrenhamente a braçadeira de capetão.

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Emerson Araujo

Jornalista, aficionado por futebol, torcedor do Cruzeiro (de nascença) e do Tottenham (desde 2005). Orgulhosamente, um dos fundadores da Tottenham Brasil e colaborador do Guerreiro dos Gramados, site voltado a cruzeirenses. Odeia Guardiolismos e acredita que atacante tem que fazer gol. Acredita que todo dia é um 7 a 1 diferente e não há nada de mau nisso. Exímio treinador no Football Manager.

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