A última impressão não pode ser a que fica: Tottenham apresentou o melhor futebol da Inglaterra na temporada

As últimas quatro rodadas desta temporada da Premier League foram um grande pesadelo para o torcedor do Tottenham. Foram apenas dois pontos conquistados em 12 disputados. Estes 10 pontos perdidos nas últimas rodadas poderiam, como acreditava, ter quase dado o título ao Tottenham, que terminou o campeonato 11 pontos atrás do campeão Leicester. Mas o desfecho foi ainda pior.

Nestas quatro últimas semanas de temporada, o torcedor dos Spurs assistiu novamente o “velho Tottenham”, que te dá algumas esperanças, mas que sempre te decepciona no final. A perda da segunda colocação na tabela, principalmente por ser ultrapassado pelo arquirrival Arsenal, o qual figura na frente do Tottenham na classificação há mais de vinte anos, consecutivamente, foi um duro golpe no ânimo do torcedor lillywhite.

Aquele torcedor, de alma renovada, que estava maravilhado pela temporada mágica que a equipe fizera, foi instantaneamente substituído pelo velho, rancoroso e pessimista torcedor do Tottenham. E não é para menos. Uma goleada acachapante, pelo placar de 5 a 1, ante ao rebaixado Newcastle, é motivo suficiente para trazer de volta a tradicional animosidade do torcedor com o Tottenham.

Esta reta final de temporada ensina ao Tottenham valorosas lições a serem analisadas para a próxima temporada. Mas isso é assunto para um próximo texto desta coluna. O que pretendo tratar nesta composição é algo completamente diferente. Quatro semanas ruins não podem ofuscar um campeonato brilhante e de muitos êxitos. Obviamente, a última impressão é a que fica mais presente na memória. Mas no caso de uma temporada inteira, o final vale o mesmo que o começo, e devemos pensa-la em sua totalidade, do começo hesitante em agosto de 2015 ao terrível maio de 2016, passando por gloriosos meses como setembro e fevereiro.

Mesmo com o título do Leicester assegurado, a ESPN questionou se seria o Tottenham, o melhor time da Premier League. (Foto: Reprodução / ESPN.com.br)

Vamos começar por uma afirmação completamente subjetiva, mas que é considerada, em consenso geral, uma verdade absoluta: o Tottenham apresentou o melhor futebol da Inglaterra na temporada 2015/2016. O Leicester foi o incrível e merecido campeão, com seu futebol pragmático e eficaz, mas foi o Tottenham quem encantou o espectador da Premier League.

Na Inglaterra, foi comum, durante a temporada, textos e análises elogiando o trabalho de Mauricio Pochettino, a evolução das jovens peças do elenco do Tottenham, a filosofia de jogo implantada pela equipe e, por muitas vezes, a equipe foi taxada também como o melhor time para se assistir na competição.

Como podemos ver na tiragem acima, os elogios não se limitaram apenas a imprensa inglesa. O programa “Futebol no Mundo”, da ESPN Brasil, logo após o título assegurado pelo Leicester, discutiu, baseado nos quesitos mais importantes da competição, onde o Spurs liderava todos, se o Tottenham seria o melhor time da Premier League. E ainda, apontou-se grande evolução do trabalho do técnico Mauricio Pochettino, em sua segunda temporada no cargo.

Após a 34ª rodada da Premier League, Tottenham liderava todas as principais estatísticas da competição. (Foto: Adaptação / SkySports)
Após a 34ª rodada da Premier League, Tottenham liderava todas as principais estatísticas da competição. (Foto: Adaptação / SkySports)

Faltando quatro rodadas para o término da Premier League e com o Leicester virtualmente campeão da competição, o Tottenham foi à cidade de Stoke-on-Trent, enfrentar o encardido time do Stoke City, pelo fechamento da 34ª rodada da Liga Inglesa. E a equipe treinada por Mauricio Pochettino saiu do Britannia Stadium com uma sonora vitória por 4 a 0. Ao final do embate, a transmissora do jogo, Sky Sports, apresentou um quadro de estatísticas (traduzido, na imagem acima) que mostrava o Tottenham como líder de todas as principais estatísticas da competição, com números bastante expressivos.

Ao final da temporada, o Tottenham aparece com:

– o segundo melhor ataque da Liga Inglesa, com 69 gols marcados, atrás apenas do Manchester City, com 71;
– a melhor defesa, com 35 gols sofridos, empatado com o Manchester United;
– o melhor saldo de gols, com +34;
– a melhor equipe em gols de bola parada, com 22 gols;
– a equipe que mais vezes chutou a gol, com 658 chutes na competição;
– a equipe com melhor aproveitamento nas finalizações, com 52% de chutes certos no gol;
– a equipe que mais criou chances na competição, com 500 chances criadas;
– a terceira maior posse de bola da competição, com 55,3%;
– o segundo time que mais correu, com 4283,8 km percorridos, atrás apenas do Bournemouth com 4331,4 km;
– o sétimo maior aproveitamento em passes, com 80,5% de passes certos;
– a equipe com maior aproveitamento de divididas vencidas, com 46%;
– a segunda equipe com menos erros defensivos com 14, atrás apenas do Leicester com 10;
– o elenco mais jovem do campeonato, com média de idade de 24,7 anos;
– o artilheiro da competição, Harry Kane, com 25 gols;
– o melhor jogador jovem da competição, Dele Alli, e;
quatro jogadores na seleção da temporada, empatado com o Leicester, também com quatro.

Os números acima expostos também transparecem o incrível futebol demonstrado pelo Tottenham durante a temporada, mostrando que fora sim, a melhor equipe da competição, também objetivamente falando. Mauricio Pochettino e seu elenco de jogadores merecem todos os elogios possíveis por essa temporada magnífica. Com o elenco mais jovem da competição, revelando jovens destaques à rodo, o futuro mostra-se de grandes perspectivas para o clube. E apesar do final de temporada melancólico, precisamos absorver a grande temporada deste time e aplaudir de pé o desempenho magnífico do nosso Tottenham, a equipe que apresentou o melhor futebol da Inglaterra na temporada 2015/2016.

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Fábio Malet

Gaúcho de Porto Alegre, bacharel em Ciência da Computação e analista de sistemas. Apaixonado por esportes, tem o jornalismo como um hobby, e, pretende, futuramente, fazer pós-graduação na área. Acompanha o Tottenham desde o começo da temporada 2002-03, por causa de Robbie Keane, do qual tornou-se fã pelo seu desempenho na Copa do Mundo 2002. No Brasil, torce para o Grêmio desde suas primeiras palavras.