Ainda bem que o Marseille não aceitou

Desde que Lamela chegou no Tottenham como a maior contratação da história do clube, para assumir a famosa camisa 11 de Gareth Bale, criava-se uma expectativa muito grande sobre o que o argentino poderia criar e até onde ele poderia nos levar. Infelizmente as perspectivas sobre o substituto de Bale estavam completamente enganadas, parecia que tínhamos nos metido em uma emboscada; já do outro lado, a Roma deveria estar adorando ver os €30 milhões em sua conta enquanto Erik mal conseguia dominar uma bola na faixa central do campo. Era uma catástrofe. Consideraria ele, naquela ocasião, pior até que o horror que usava nossa 9, Roberto Soldado.

E assim foram suas duas primeiras temporadas no clube. Erros atrás de erros, falta de vontade em campo, sem brilho algum, Erik teve todas as chances do mundo em 55 partidas e não agarrou a oportunidade nunca. Foram pífios e patéticos cinco gols e dez assistências neste considerável período. Como toda paciência tem lá sua data de validade, o argentino via seu tempo cada vez mais perto do fim neste novo Tottenham. Após brincadeiras de torcedores que colocaram cartazes de “procura-se” do 11 nas ruas perto ao White Hart Lane e uns dias de sumiço dos treinos, Erik foi oferecido a diversos times.

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Que homem! (Foto: Telegraph UK)

O primeiro clube a receber a oferenda foi a Juventus que rapidamente rejeitou o jogador por ter um plantel muito recheado no ataque com Cuadrado, Dybala, Zaza, Mandzukic, Pereyra, Morata e afins. O plano B de Levy para despachar o argentino também não era tão longe de Turim, logo ali em Milão, aonde a Internazionale, embora tivesse interesse, preferiu ao croata Perisic para a posição de meia ofensivo. E assim foram um por um rejeitando: Roma, Fiorentina, Milan, etc. Até que seu retorno ao cenário italiano se tornou improvável. Angustiado para vender, e sem tempo, Levy ligou até para o Chuí e finalmente encontrou alguma equipe disposta, de fato, a arcar com Lamela.

A equipe era o Olympique de Marseille, que em reconstrução, precisava de um camisa 11 urgente para brigar pela segunda posição da Ligue 1 (não preciso explicar porque eles não brigariam pela primeira, né?). O acordo estava fixado e no último dia de transferências iria ser confirmado após uma boa bateria de exames e umas fotos. É, iria. Eis que começaram a surgir imprevistos.

Lamela iria ser confirmado mas de última hora algumas exigências de Levy, que envolviam uma compra definitiva ao fim do período de empréstimo, acabaram por fazer o clube francês dar um pulo para trás. Enfim, após tanta confusão e sem tempo para firmar outro acordo, Erik se juntou novamente ao elenco, fez a pré temporada e à nós só restava nos prepararmos pra mais uma temporada de jogos ruins, tentativas frustradas de individualidade, etc, etc.

Se pegarmos o ponto de vista de sete, oito meses atrás, manter Lamela no elenco foi uma atitude inteiramente ridícula por parte de Daniel Levy, já que o hermano era um peso morto e que precisava ser mandado nem que fosse para o campeonato de Luxemburgo por um pacote de balas. Já agora, analisando com mais calma, só podemos agradecer e dizer: ainda bem que o Marseille não quis!

El Coco, como é apelidado, tem sido a face deste time guerreiro com desarmes, divididas fortes em clássicos, boa recomposição defensiva e ofensiva, garra, raça, assistências (7) e o mais importante, gols (10). Erik Lamela não acabou se tornando o novo Bale como era esperado, não é o craque do time, não é o rei do nosso xeque-mate, está longe disso. Mas sem dúvidas pode ser classificado como a peça do cavalo, aquela que é fundamental em um sistema, que dá seu máximo para o melhor funcionamento da equipe e que quando não está presente faz falta. Ainda bem que você ficou, hermanito!

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joaobucchi

Paulista do interior, amante de todos esportes que envolvem bola, em especial o futebol, e eterno sofredor por torcer pro Tottenham.