O dia do golpe

Seja você esquerda, direita, coxinha, petralha, não importa. O possível golpe, em questão, não tem nada a ver com a política brasileira. O objetivo aqui, felizmente, é falar do futebol inglês. Neste domingo, o líder e virtual campeão Leicester ficou em um empate por 2 a 2 com o West Ham. O empate conquistado pelos Foxes, com um homem a menos, em um pênalti inventado no fim (comentaremos de arbitragem um pouco abaixo), pode ser uma demonstração de força ou fraqueza por parte da equipe que ocupa o primeiro lugar na tabela (e o coração de grande parte da imprensa que cobre o futebol internacional em nosso país).

Força, porque buscar um empate com um homem a menos, já nos acréscimos, sempre receberá um tempero de heroísmo. Já a faceta da fraqueza se justifica devido a sequência de resultados golpeada nesta manhã de domingo. Após cinco triunfos seguidos sem sofrer gols (quatro deles por 1×0), o Leicester parecia imparável. Hoje, no momento em que Jamie Vardy abriu o marcador, em bela finalização cruzada de pé esquerdo, me veio o pior: “vai ficar assim”. E o cenário estava bem propício para mais uma vitória do time azul, com clean sheet de Kasper Schmeichel. Mas no segundo tempo, um pênalti bem convertido por Andy Carroll e um chutaço de Cresswell provaram que as Raposas também sangram. O Leicester não é imbatível.

(Foto: Reprodução / Mirror)
O Tottenham precisa ser perfeito nas últimas cinco partidas e tentar desestabilizar o Leicester (Foto: Reprodução / Mirror)

Uma pausa para falar sobre a arbitragem desastrosa. Vejo muita indignação com relação a supostos dois pênaltis não marcados para o Leicester, ambos cometidos por Ogbonna. Também surgiram críticas pela não marcação de um pênalti de Huth sobre Carroll, a marcação da penalidade de Morgan em Reid e o último lance, de Carroll em Schlupp. Para ser bem sincero, fosse eu o árbitro, não marcaria nenhum dos cinco pênaltis reclamados. Tivemos hoje um árbitro de Brasileirão na Premier League. As pessoas esquecem de olhar o lance com a perspectiva da arbitragem, confirmando ser pênalti pelo que mostram os replays da TV. É necessário abrir um pouquinho o horizonte e se colocar na condição real do jogo. Sobre a expulsão de Vardy, merecida e incontestável.

Voltando para a disputa pelo título inglês, de nada adianta o resultado do Leicester se o Tottenham não fizer sua parte. Portanto, a vitória amanhã, que já era obrigatória, se torna ainda mais vital para a manutenção do sonho. Derrubar a vantagem para 5 pontos é diminuir a margem do líder restando apenas 4 rodadas para o fim da peleja, tornando uma virada possível em dois jogos. E mesmo que a taça não venha para White Hart Lane, nosso papel é incomodar e adicionar todo o tipo de pressão possível pra cima do nosso adversário. A melhor forma de fazer isso é vencendo, de preferência jogando bem. Sem dar sopa para o azar.

O dia 17 de abril de 2016 pode ficar marcado como o dia em que o Leicester sucumbiu historicamente e iniciou sua derrocada, perdendo o título inglês para um ardiloso Michel Temer, ops, Tottenham. Ou pode não significar absolutamente nada se não cumprirmos com a obrigação. Espremer o Leicester e dar a um pequeno as obrigações de um grande é a nossa melhor esperança de que a carruagem azul vire abóbora e, principalmente, que o beijo apaixonado na taça fique por nossa conta.

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Emerson Araujo

Jornalista, aficionado por futebol, torcedor do Cruzeiro (de nascença) e do Tottenham (desde 2005). Orgulhosamente, um dos fundadores da Tottenham Brasil e colaborador do Guerreiro dos Gramados, site voltado a cruzeirenses. Odeia Guardiolismos e acredita que atacante tem que fazer gol. Acredita que todo dia é um 7 a 1 diferente e não há nada de mau nisso. Exímio treinador no Football Manager.

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