O retorno de um velho Eriksen

Após a venda de Gareth Bale, rios de dinheiro atravessavam o White Hart Lane. €100 milhões que estavam lá para serem gastos na construção de um time vitorioso, um time que no mínimo deveria ir a Champions League, regularmente. Quando a bola rolou, entretanto, esse não foi o caso. A decepção era grande, nosso time era um bingo de surdo, totalmente perdido, tanto dentro como fora de campo, sem a mínima perspectiva de reação para um futuro próximo. Após tantos vexames, André Villas Boas deu lugar a Tim Sherwood e sua filosofia de jogo, mais louca que o Harry Kane no gol. Tinha tudo pra dar errado, mas aí que fomos surpreendidos novamente, como já diria um pensador contemporâneo.

Vindo do banco após quase um turno inteiro entre os reservas, Christian Eriksen assumiu a titularidade e embora vivesse aquele dilema das nossas novas peças não justificarem o valor, o dinamarquês conseguiu se provar diferenciado. Quando inspirado, um maestro. Quando estava nos dias normais, ainda continuava melhor que 80% da nossa equipe. Sem falar nos lances de bola parada e/ou chutes de fora da área que serviram para nos dar alguns pontos importantes. E foi neste pique que ele foi eleito o melhor jogador da temporada no Tottenham pelos torcedores e terminou a temporada com 10 gols e 12 assistências.

Decidir o confronto contra o Manchester City foi uma bela amostra desse retorno (Foto: Reprodução / Facebook)
Decidir o confronto contra o Manchester City foi uma bela amostra dessa ‘volta por cima’ (Foto: Reprodução / Facebook)

Entretanto a próxima temporada chegou e, com ela, o período de hibernação, recheado de apelidos carinhosos (Eriksono, ErikZzZzen), etc. Não que seus números tenham sido tão ruins na competição nacional, ele continuou com seus 10 gols mas suas assistências caíram para menos do que a metade (5). O camisa 23 era cada vez mais um sócio torcedor com visão privilegiada de dentro do campo; não corria, não disputava as bolas, se contentava com pouco e vivia de um gol dali, uma partida boa aqui. Nada consistente, começou a ser criticado, cobrado e logo todo aquele carinho parecia não existir mais. Tottenham e Eriksen não estavam na mesma sintonia de antes.

E, agora, mais de dois anos após sua estreia com a camisa lillywhite, tantas fases que intercalaram entre o ótimo e o péssimo, Eriksen deixa de ser um jogador de lampejos, tornando-se um nome que mantém uma regularidade em alto nível. Mais participativo e eficiente do que na última edição, nosso Laudrup tem até o momento 6 gols e 9 assistências, além de 79 chutes ao gol, um dos que mais arrisca no time. É também um dos que mais ajuda na recomposição defensiva mesmo fazendo, muitas vezes, o papel de winger.

Não que tudo esteja às mil maravilhas, o dinamarquês ainda apresenta alguns pequenos problemas. Mas, nitidamente, seu lado decisivo tem dado às caras novamente. E se o ditado ainda vale: antes tarde do que nunca, porque nós já estávamos morrendo de saudades daquele Eriksen de 2013/14.

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Email this to someonePrint this pagePin on Pinterest
The following two tabs change content below.

joaobucchi

Paulista do interior, amante de todos esportes que envolvem bola, em especial o futebol, e eterno sofredor por torcer pro Tottenham.