O milagre vale a pena?

A próxima partida do Tottenham na temporada será o jogo de volta contra o Borussia Dortmund, pelas oitavas de final da Europa League. Após a derrota por 3×0 na semana passada, no Signal Iduna Park, a classificação torna-se uma tarefa praticamente impossível. Afinal, fazer no mínimo três gols nos alemães, sem sofrer nenhum, e tentar levar para os pênaltis não é uma missão simples, especialmente quando analisamos o trio ofensivo adversário, composto pelos ótimos Mkhitarian, Reus e Aubameyang. Caso tomemos um gol, precisaríamos de cinco. Nesse aspecto, chegar ao próximo estágio, só com um milagre. Mas será que valeria a pena consegui-lo?

Como é sabido, há muitos anos não disputávamos o título inglês com possibilidades reais de conquista. No momento, faltam apenas 8 rodadas para o término da maior liga nacional do mundo e apenas um adversário nos separa do troféu. Ao menos na tabela, o já consolidado Leicester é o grande inimigo, 5 pontos a nossa frente. Seguir na Europa League implica ter um plantel mais cansado nos momentos chave do campeonato e propenso a queda de rendimento e/ou lesões. As atuações desastrosas de Alli e Dier no clássico contra o Arsenal denotam isso.

(Foto: Reprodução / theguardian)
Nem pense em me escalar quinta, professor! (Foto: Reprodução / theguardian)

Voltando a pergunta do primeiro parágrafo, não vale a pena não. É extremamente improvável que consigamos reverter a vantagem dos alemães, independentemente de usarmos titulares ou reservas. Mas é notório que botando o time constantemente titular, teríamos dificuldades físicas extremas contra o Bournemouth, três dias depois, em White Hart Lane. E os duelos contra times de menor expressão são momentos em que o tropeço torna-se inadmissível a essa altura do campeonato. Não apenas na possibilidade de título da Premier League, mas até considerando a classificação para a Champions.

Meu apelo a Pochettino é para que use um time bem alternativo, de preferência reserva em sua totalidade. Dê minutos para jogadores como Vorm, Bentaleb, Onomah, Carroll… a ocasião é propícia a isso, não há motivos para se colocar atletas imprescindíveis em um confronto extremamente desgastante. Pela intensidade que o Tottenham impõe naturalmente, não vale o risco. E pode ser também uma oportunidade de estrear jovens promissores, como o zagueiro Carter-Vickers, de estreia muito aguardada.

No frigir dos ovos, a partida tornou-se um amistoso de luxo. O tratemos como tal e vamos com tudo para quando a coisa realmente interessa: na busca de algo um pouco mais relevante e próximo do impossível, aquela taça que não vem pra nossa casa desde 1961.

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Emerson Araujo

Jornalista, aficionado por futebol, torcedor do Cruzeiro (de nascença) e do Tottenham (desde 2005). Orgulhosamente, um dos fundadores da Tottenham Brasil e colaborador do Guerreiro dos Gramados, site voltado a cruzeirenses. Odeia Guardiolismos e acredita que atacante tem que fazer gol. Acredita que todo dia é um 7 a 1 diferente e não há nada de mau nisso. Exímio treinador no Football Manager.

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