Mexe no time, pô(ch)!

Você tá ouvindo esse som? É ela, a corneta! A derrota contra o Newcastle, nos acréscimos, de virada, jogando em casa, torna o momento propício para alguns questionamentos acerca do que foi o Tottenham nessa temporada. Dono de um futebol agressivo, porém pouco efetivo, detentor de uma coleção de empates, mascarados pela doce ilusão de uma sequência invicta, os Spurs tem tido dificuldade em – como nosso amigo Emerson Araújo salientou: ser feliz.

O trabalho de Mauricio Pochettino, evidentemente, melhorou em relação à temporada anterior em que dirigiu o clube. Seu esquadrão, agora, tem um padrão de jogo, apresenta certa força coletiva, corre como poucos dentro da Barclays Premier League, sendo o segundo time no quesito distância percorrida (via Squawka). Além de saber jogar com a posse de bola, fazendo com que o time controle o jogo, acelerando-o apenas quando necessário, a equipe reforçou bastante sua capacidade nas bolas paradas, tendo feito 10 gols na Liga Inglesa, mais do que qualquer outro time nesse aspecto (valeu de novo, Squawka).

Uma crítica, contanto, é necessário que se faça à maneira como nosso treinador se comporta diante das partidas. Se ele já disse confiar no elenco, que este mesmo elenco é bom, porque não utiliza-lo? Você, leitor, que acompanha o Tottenham Brasil, principalmente, no Twitter, sabe o quanto questionamos nosso treineiro argentino pela sua dificuldade em lidar com substituições nas partidas. Isso é algo que se manteve da temporada passada para a atual.

Essa é a cara que a gente faz quando o Poch deixa para fazer as alterações só quando o jogo está acabando. - Foto: BBC
Essa é a cara que a gente faz quando o Poch deixa para fazer as alterações só quando o jogo está acabando (Foto: Reprodução/BBC)

Mauricio Pochettino parece nunca mexer no time antes dos 30 do segundo tempo. Mesmo que seja para poupar alguém ou substituir um jogador amarelado. Mesmo que a equipe esteja empatando ou buscando uma vitória, é difícil ver o treinador chamando alguém dos reservas para entrar em campo antes dos momentos derradeiros da partida. Ontem, foi exceção: Tom Carroll havia sido amarelado antes dos 75 minutos de jogo e o treinador resolveu colocar Heung-Min Son em seu lugar, abrindo mais o time, algo que eu também questiono, mas não achei uma loucura no momento.

Aos 74 minutos, numa bola parada desnecessária, veio o gol de empate do Newcastle, com Mitrovic. O time entrou em choque e sabe o que o Poch fez? Isso mesmo, nada. Só aos 86 minutos, ele sacou Erik Lamela, melhor jogador da equipe na partida, para colocar Chadli, no melhor estilo: vai lá e ganha o jogo para a gente. Chadli… eu não sou fã do jogador, apesar de admitir que ele tenha sua utilidade. Porém, um jogador que vinha de 1 mês parado, o que poderia fazer em 4 minutos mais os acréscimos? Acredito que nem sentir o calor do jogo ele conseguiu.

Um claro motivo, ao meu ver, para esse fracasso tático do treinador quando a equipe se vê em apuros é seu esquema: o maldito 4-2-3-1. Enterrem esse esquema! A previsibilidade que ele confere a seu time é tamanha, que o Newcastle nem sofreu perigos no segundo tempo. Há quem ache que o time está cansado. Duvido muito. Muitos titulares tem participado do rodízio com a Liga Europa, a média de idade do time é de 24 anos e estamos apenas na metade da temporada.

Outro fator: queda de rendimento de Dele Alli e Christian Eriksen. Os dois são os motores do time, mas já contra o West Brom vem errando bastante, embora Alli tenha feito o gol de empate em The Hawthorns. Eriksen, ontem, só acertou o escanteio para nosso gol, mais nada. A esperança de que ele fosse resolver algo com alguma cobrança de falta foi por água abaixo quando ele desperdiçou duas ótimas chances na segunda etapa, o que já o qualificaria para uma substituição. Alli não acertou um domínio de bola na partida, esteve muito nervoso o jogo todo, caçando encrenca. O que aconteceu já sabe: quem saiu foi o Lamela. Sim, Lamela, que tanto cobramos, fez um bom jogo. Elliot impediu que sua partida fosse de consagração, mas o argentino, de qualquer forma, se matou em campo.

A meu ver, sinto que Pochettino tem dificuldades ainda para ler as partidas. Entender o que ele pode fazer para mudar o panorama de um jogo. O Tottenham tem deixado as equipes reagirem de uma forma inexplicável, sendo engolido principalmente na segunda metade das segundas etapas dos jogos. Até pode ser, sim, que estejam um pouco cansados, mas a queda brusca não se dá só a isso. As peças são as mesmas que desempenharam um ótimo papel em algumas partidas desta época, mas já são 3 jogos sem vencer em sequência e isso pesa.

Os três pontos contra o Newcastle seriam os mesmos três pontos que foram contra o Manchester City, a diferença é que estes foram uma surpresa e a perda destes últimos foi um soco no estômago. O elenco não tem muita variação, mas acredito que pode render mais, principalmente se o treinador cooperar quando sua ação for necessária.

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Lucas Colenghi

Mineiro de Uberaba (no Triângulo Mineiro). Licenciado em Letras com Habilitação em Português e Inglês pela UFTM. Tenho 22 anos e as duas coisas que eu mais odeio no mundo são: 1- acordar cedo; 2- escanteio curto. Gostar de futebol é legal até você resolver torcer para um time: com o Tottenham não é diferente.

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