Que medo é esse de ser feliz?

O filme é antigo. O Tottenham faz grandes partidas, dá show em algumas oportunidades, apresenta bons jogadores e sabe o que acontece? Termina em quinto lugar na Premier League. O que inicialmente poderia ser um resultado interessante, porque ficar em quinto na melhor liga do mundo é uma posição bem respeitável. Entretanto, quando se investe sistematicamente, norteia  o trabalho e ilude a torcida com a chance de jogar a Liga dos Campeões, é uma frustração muito grande ver que, mais uma vez, vamos ficar pelo caminho.

“Mas estamos apenas a três pontos do quarto colocado, é perfeitamente conseguir a vaga”, dirão alguns. Claro que é possível, a questão é que um postulante a a algo mais na temporada não pode ser dar ao luxo de falhar tantas vezes no momento decisivo. Esses pontinhos bobos perdidos em casa, tomando empates e viradas idiotas contra times da parte baixa da tabela que nos fazem bater na trave todo ano. O Newcastle é até um bom elenco, tem valores interessantes. Mas só a gente não os vence. O Chelsea está uma draga desgraçada, perdendo pra todo mundo. E nós, respeitosamente, pouco incomodamos a defesa azul.

Acho que eu já vi essa história... E você? (Tony O'Brien/Reuters)
Acho que eu já vi essa história… E você? (Tony O’Brien/Reuters)

Os Spurs lembram muito os filmes norte-americanos de comédia besteirol, daqueles que tem algum virgem indo atrás da estreia na vida sexual. No caso, nós somos o virjão, para deixar bem claro. Sempre que tudo parece perfeito, aparece um imponderável. E reparem bem, o maior empecilho para alcançarmos a felicidade, somos nós mesmos. É a própria incompetência, a cabacisse desmedida que nos faz meter os pés pelas mãos. Não é uma metáfora perfeita, até porque estivemos na Liga dos Campeões uma vez. Mas dá pra assimilar a ideia. Nós não podemos culpar ninguém além de nós mesmos por tamanhos e recorrentes fracassos.

Então qual seria a receita? Pochettino não faz um bom trabalho? Acho que sim, ele faz um bom trabalho dentro das próprias limitações e daquilo que tem disponível no elenco. Mas uma das coisas que lhe falta é experiência. Vale ressaltar que o comandante nunca ganhou nada como treinador e essa falta de cancha não é um exemplo positivo para o jovem elenco. Lembrando essa juventude, a oscilação natural da idade é outro fator determinante para que não sejamos um time confiável. Não tem jogo ganho, tampouco jogo perdido para esse grupo. E a quantidade de tropeços jogando melhor, ou contra times fracos, deixa na memória a sensação de déjà vu.

Foto:  Tony O'Brien/Reuters
Desgraça pouca é bobagem (Foto: Tony O’Brien/Reuters)

Ainda há esperança, mas essa diminui a cada dia. Afinal, você bota a mão no fogo de que Kane, Lamela, Eriksen, Dier, Rose, Alli, Walker, Vertonghen e Lloris sejam os nomes que vão estabelecer uma boa regularidade de vitórias nesse momento? Eu não tenho essa confiança. São muitos pontos dados e até mesmo na sequência invicta de 14 partidas, deixamos 16 pontos pelo caminho.  A reflexão final é a seguinte: como torcedores do Tottenham, estamos acostumados com isso, somos colecionadores de decepção. Mas precisamos mesmo repetir a dose todo ano? Será que esses caras não vão aprender nunca? Podemos conjecturar a vontade. A resposta, somente no fim de maio.

 

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Emerson Araujo

Jornalista, aficionado por futebol, torcedor do Cruzeiro (de nascença) e do Tottenham (desde 2005). Orgulhosamente, um dos fundadores da Tottenham Brasil e colaborador do Guerreiro dos Gramados, site voltado a cruzeirenses. Odeia Guardiolismos e acredita que atacante tem que fazer gol. Acredita que todo dia é um 7 a 1 diferente e não há nada de mau nisso. Exímio treinador no Football Manager.

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  • Vinícius

    A gente faz varias temporadas seguidas relativamentes boas e não conseguimos a vaga pra CL, aí chega um time que a 3 anos atrás era de segunda divisão e precisa de apenas 2 temporadas na premier league pra conseguir a vaga (acho que eles não vão seguir o nosso exemplo e deixar a vaga escapar). Não sei se rio ou se choro

  • Wagner

    Falta elenco. Temos um bom 11-inicial e é isso.
    Falta experiência. Juventude é sinônimo de fôlego extra ( até a página 2, porque parece que a partir dos 25-30 do segundo tempo morreu todo mundo), mas também é sinônimo de irregularidade.
    Equilíbrio demasiado: nao temos um jogador que destoe positivamente no time, o famoso CRAQUE, que resolve a parada na hora do aperto.
    Alternativas de jogo: temos uma forma de jogo bem definida. Definida até demais, porque se não dá certo ninguém parece saber oque fazer pra salvar.
    Entregadores de rapadura: o que pelo amor de deus o Rose queria fazendo aquela “defesa”? Aposto minha camisa do REI que não ia dar nada naquele lance!

  • HEDUARDO

    Bem, acredito que no final da temporada, Chelsea irá alcançar esse tão almejado quarto lugar. Porém, gosto – e muito -, do trabalho que Pochettino vem realizando. Futebol pragmático. Explorando os detalhes, mas não é só de rosas que se vive e oscilações virão, certo!? Quem pensou que o Spurs ganhariam do City da forma como ganharam!? Acho que vocês choram muito! O trabalho é bom; futebol promissor; pragmático. Vale registrar que Pochettino também foi capaz de descobrir e aproveitar virtudes multifuncionais de alguns atletas como o zagueiro/volante inglês Eric Dier que se revelou um volante quase inexpugnável. Tudo aquilo que o futebol demanda de uma equipe nós temos apresentado.

  • João Vitor

    O Pochettino vem fazendo um bom trabalho, mas demora muito pra fazer as substituições necessárias no decorrer da partida.

  • Pingback: Mexe no time, pô(ch)! | Tottenham Brasil()

  • Eu queria saber o que que Leicester City tem de tão melhor que o Tottenham? Elenco não pode ser!