No olho do furacão

Olá, caro leitor, estou cá de novo.

Vou falar o óbvio: Harry Kane está em má fase. O nosso “Hurrykane”, que surpreendeu a todos na temporada passada por atingir um alto nível de futebol de forma meteórica, não conseguiu reeditar, em nenhum momento, as boas aparições que ajudaram o Tottenham a apresentar-se solidamente no ataque e o credenciaram à seleção inglesa.

Temporada passada, o cenário era propício para o imponderável: pé torto do Soldado, má fase/macumba do Adebayor. O jogador que acabara de receber a camisa 18, que fora de um artilheiro recente, Jermain Defoe, começou a galgar seus espaços pouco a pouco, participando bem da Copa da Liga e, principalmente, da UEFA Europa League. Um hat-trick diante do Asteras Tripolis fez com que Pochettino começasse a depositar mais confiança no jogador em termos de Premier League.

Foi diante do Aston Villa que Kane mostrou sua estrela: uma falta na entrada da área, chamou a responsabilidade e contou com o desvio na barreira para dar uma vitória suada, por 2 a 1, de virada, no Villa Park. A partir daí, o Furacão começou a passar por vários lugares da Inglaterra! Kane não necessariamente precisava fazer gols para decidir os jogos a favor do time: suas jogadas de pivô, arrancadas ao buscar a bola na meia cancha, passes em profundidade… um jogador, que outrora demonstrava ser um operário do futebol, parecia se mostrar “World Class”.

Em uma temporada avassaladora, em 2014/2015, Harry Kane fez 32 gols em 56 aparições, contando seleção Inglesa principal e sub-21. Pelo Tottenham, foram 31 gols em 49 partidas. O jovem atacante quebrou a barreira dos 30 gols, algo que não acontecia desde Jürgen Klinsmann na década de 1990 e chegou, com todos os méritos, ao esquadrão do English Team, para, aos poucos, como se imaginava, formar a dupla de frente dos leões com Wayne Rooney.

Uma cena muito comum vista na temporada passada em terras inglesas: Harry Kane comemorando um gol próprio - Foto: Daily Mirror
Uma cena muito comum vista na temporada passada em terras inglesas: Harry Kane comemorando um gol próprio – Foto: Daily Mirror

Aí você deve pensar: (*)orra! Se ele fez tudo isso a nível profissional, o que se dirá no sub-21!? Pois é, aí que reside o problema inicial de toda essa turbulência futebolística que vive Harry Kane no presente momento. Antes do início da temporada atual, 2015/2016, ocorreu a disputa da Eurocopa Sub-21 de seleções: o Tottenham cedeu Alex Pritchard, que fizera ótima temporada no Bournemouth pela Championship, e Harry Kane, principal nome entre os atletas que compunham a categoria, embora já encorpasse o grupo de atletas da seleção principal, tal qual Raheem Sterling, hoje, do Manchester City. Mesmo com a comissão técnica solicitando a Kane que não fosse disputar o torneio, o mesmo julgou ser importante para finalizar um ciclo na base do futebol do país.

Foram três jogos, três míseros jogos. Nenhum gol, Inglaterra eliminada na primeira fase e cansaço acumulado da temporada passada resultado em férias estendidas, enquanto o clube já iniciava a Pré-Temporada. Sabemos bem o quanto é importante, para um atleta de alto nível, se preparar física e tecnicamente durante os jogos que antecedem a temporada regular. Porém, não foi o que ocorreu com Kane, tampouco com Pritchard, que perdeu todo o processo de preparação por se lesionar no maldito torneio, mas isso é outra história.

Mesmo com o pedido da comissão técnica do Tottenham, Harry Kane aceitou a convocação e participou do fiasco sub-21 do English Team - Foto: The Telegraph
Mesmo com o pedido da comissão técnica do Tottenham, Harry Kane aceitou a convocação e participou do fiasco sub-21 do English Team – Foto: The Telegraph

Nosso furacão voltou de férias para o Tour da América do Norte e para a Audi Cup, algo mais relacionado a marketing do que à preparação para os jogos oficiais propriamente. Anteriormente, a equipe havia mudado seu planejamento, realizando jogos-treino em seu próprio centro de treinamento, algo mais escondido. Tanto é verdade que Kane pouco se preparou, que ele jogou o primeiro tempo do jogo contra o MLS All-Stars, a mesma primeira etapa do jogo, pela Audi Cup, contra o Real Madrid e não esteve presente na decisão de terceiro lugar, vencida por nós, por 2 a 0, contra o Milan, no mesmo torneio.

Mesmo assim, a temporada se iniciou. Kane recebeu a camisa 10 do escorraçado Adebayor e tornou-se, literalmente, o único atacante de confiança do elenco, já que Soldado foi vendido e não houve contratação para que repusessem as perdas. Heung-Min Son, que chegou já mostrando bom futebol, até pode atuar pelo centro do ataque, mas sabemos que esta não é sua posição de maior destaque.

A camisa 10. O único jogador da posição no elenco. A pressão para reeditar uma boa temporada, se afirmar e não ser tachado de “One-season Wonder”. A má preparação para a temporada por ter ido jogar um torneio que fora pedido para não jogar. Isso caiu em forma de um piano que Kane parece estar carregando nas partidas do clube nesta atual temporada. O Furacão encontra-se no olho do mesmo.

Nesta temporada, a cena comum é de um Harry Kane frustrado por nada dar certo - Foto: The Metro
Nesta temporada, a cena comum é de um Harry Kane frustrado por nada dar certo – Foto: The Metro

Mesmo com apenas 22 anos, o jogador atingiu um nível de alta cobrança, pois sabe-se que ele pode apresentar-se melhor do que o que vem ocorrendo. Até o presente momento de 15/16, foram 14 jogos, 2 pela seleção e 12 pelo Tottenham. Na seleção ele está 100%, mas pelo clube que o projetou, marcou apenas 1 gol, totalizando 3 tentos marcados até aqui. Números bem abaixo do esperado. Em campo, o vivaz atacante se mostra cansado, pesado, sem muita mobilidade, contrariando tudo aquilo que havia apresentado na temporada anterior, para não dizer nada sobre sua aparente falta de confiança em frente ao gol.

Heung-Min Son chegou para tirar um pouco do peso que Kane carrega e Erik Lamela tem se mostrado mais proativo no meio de campo, juntamente a Christian Eriksen, mas falta o homem de frente, aquele que nos deu tantos pontos antes. Kane precisa de descanso, para se recondicionar fisicamente, e de um substituto na janela de Janeiro, de forma a termos condições de brigar por uma vaga na Champions League, seja pelo campeonato ou, principalmente, através do título da Liga Europa.

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Lucas Colenghi

Mineiro de Uberaba, no Triângulo Mineiro, graduando em Licenciatura em Letras com Habilitação em Português e Inglês. Tenho 21 anos e as duas coisas que eu mais odeio no mundo são: 1- acordar cedo; 2- escanteio curto. Gostar de futebol é legal até você resolver torcer para um time: com o Tottenham não é diferente.

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