Ele é o cara?

Perguntar não ofende, ou ao menos não deveria. Fato é que o Tottenham vem sofrendo nos últimos anos para se estabelecer como um clube entre os 4 primeiros postos na Premier League, algo só conseguido por Harry Redknapp em duas oportunidades (2009/2010 e 2011/2012). Maurício Pochettino foi o escolhido na última temporada para levar o clube adiante e após uma temporada em quinto na liga e sem conquistas nas taças, levantou a preocupação de alguns sobre sua capacidade de ser o líder que os Spurs tanto carecem.

A experiência em Espanyol e Southampton lhe credenciou a chegar ao Tottenham. Entretanto, espera-se mais do que brigar por uma vaga na Champions e morrer na praia. Pochettino conhece o elenco, montou o grupo a seu feitio e não tem do que se queixar. Agora, será efetivamente cobrado por conquistas. E precisa estar pronto para justificar a confiança que lhe foi dada. Afinal, ele busca seu primeiro título na carreira de técnico, o que esteve perto de acontecer na última Copa da Liga. E estamos desde 2008 sem levantar um troféu, fato que precisamos mudar urgentemente.

Apostou em um elenco jovem, com atletas oriundos da base e outros vindos ainda em processo de desenvolvimento. Os jogadores tidos como certeza em sua chegada, foram negociados ou se enquadraram nessa nova realidade. O mesmo treinador que confiou a Kaboul a faixa de capitão, o relegou a segundo plano, deixando por praticamente seis meses sem jogar devido ao baixo rendimento. E o vendeu à primeira oportunidade. Ao mesmo tempo, afastou Adebayor e Lennon do plantel e mostra não contar com os jogadores, mesmo sendo atletas de talento e identificação com o clube. Até então, Levy vem o respaldando nas medidas.

Deu uma sorte imensa, convenhamos. Harry Kane foi puxado por Tim Sherwood para o time principal e recebeu chances, para estourar de vez com Pochettino. O novo camisa 10 dos Spurs é hoje o mais badalado jogador do elenco e a grande esperança de gols. Se mantiver o excepcional rendimento de 2014/15, a vaga na Champions é sim uma realidade. Mas aí vem a dose de preocupação, Kane não é mais um fato novo. É um centroavante já manjado, conhecido e extremamente marcado. Cabe a Pochettino ter opções no time para que não soframos de uma ‘Kanedependência’, ou no mínimo para minimizá-la. É essencial que os queridinhos do chefe Lamela e Chadli elevem seu nível exibicional, ou então teremos um time extremamente previsível.

Passa por Pochettino também acertar a zaga, o maior problema da última temporada. Alderweireld chega com status de titular, enquanto Wimmer e Trippier vem colocar pressão em Walker e Vertonghen para que os titulares mantenham um bom nível. A estratégia deu certo no ano passado, com Danny Rose subindo muito de rendimento a partir da chegada de Ben Davies para a concorrência. O talentoso Eric Dier ainda oscila, mas parece ser a escolha do argentino para a cabeça de área, solução barata para um clube que não pretende gastar muito com reforços. Aguardemos para ver se dará certo, visto que os atuais titulares Mason e Bentaleb não prezam por grande capacidade de marcação e desarme.

Um dos times mais jovens da Europa, tem como novo capitão e ponto chave o goleiro francês Hugo Lloris, que graças aos deuses da bola, aparentemente vai ficar. Salvador da pátria, o arqueiro é a grande esperança para a estabilidade defensiva tão almejada. Apostas como Dele Alli, Tom Carroll, Joshua Onomah, Harry Winks e Alex Pritchard buscam seu espaço no grupo, assim como tantos meninos o fizeram na temporada passada. Vejamos se conseguem se tornar peças úteis durante a temporada.

 A limpa promovida foi o mais animador na temporada. Stambouli, Capoue, Paulinho, além do supracitado Kaboul foram os principais nomes na debandada. Aparentemente, Roberto Soldado terá mais uma oportunidade, algo que não me parece inteligente. Emmanuel Adebayor e Aaron Lennon não terão a mesma sorte e espera-se que deixem o clube até o fim da janela. Provavelmente teremos alguma novidade, com um ou dois atletas chegando para a parte ofensiva do campo, até porque não podemos depender exclusivamente de Kane, Eriksen, Lamela e Chadli. Além de alguns terem qualidade questionável, atletas de alto nível se lesionam, precisamos ter ao menos opções um pouco mais sólidas.

 O grande responsável por capitalizar esses talentos e fazer o time jogar será Pochettino. Precisa provar agora se é realmente o cara ou apenas um treinador que passará sem deixar saudades em White Hart Lane. Ter alternativas táticas seria uma ótima forma de deixar um lastro no clube, especialmente se conseguir revelar tantos mais bons nomes para o clube. É notório que há muito talento na base dos Spurs e um centro de formação excelente, cabe agora ver todo esse potencial se tornar realidade. Isso não é uma ameaça, veja como um incentivo. Dá seu jeito, Pochettino, nós acreditamos em você. Faça sua mágica agora, antes que seja tarde demais.

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Emerson Araujo

Jornalista, aficionado por futebol, torcedor do Cruzeiro (de nascença) e do Tottenham (desde 2005). Orgulhosamente, um dos fundadores da Tottenham Brasil e colaborador do Guerreiro dos Gramados, site voltado a cruzeirenses. Odeia Guardiolismos e acredita que atacante tem que fazer gol. Acredita que todo dia é um 7 a 1 diferente e não há nada de mau nisso. Exímio treinador no Football Manager.

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  • Fernando C.

    Complicado esperar regularidade de Chadli e Lamela. Eriksen teve um começo ótimo e sumiu no fim da temporada. Bom seria ter os 3 homens de criaçao em boa fase, complicado achar esse equilibrio.

    Torcer pra que eles joguem, caso contrario, de nada adianta ter oh Kane se a pelota nao chegar.