TB Perfis – Jermaine Jenas

Meio campista de boa técnica, Jenas foi peça fundamental no ressurgimento do Tottenham no mercado europeu, a partir do meio da década passada. Sua movimentação, seus gols e sua presença decisiva em clássicos são marcas registradas do camisa 8. No entanto, sempre ficará um sabor amargo por saber que sua irregularidade nunca permitiu aos Spurs lutar de fato para conquistar os títulos. Aposentado em 2014 após grave lesão no joelho, com apenas 32 anos de idade, o amado e odiado JJ será o biografado da semana na série Tottenham Brasil – Perfis.

 Primeiros passos

Jermaine Anthony Jenas nasceu em 18 de fevereiro de 1983, na cidade inglesa de Nottingham. No clube da cidade, o tradicional Forest, realizou as categorias de base e já se notabilizava pelo talento como um meio campista de bom passe e criatividade. Talvez por isso tenha atuado por todas as seleções inglesas, desde a sub-16 até a sub-21. Sua estreia como profissional ocorreu no dia 7 de janeiro de 2001, com apenas 17 anos. Na ocasião, foi titular na derrota para o Wolverhampton por 1×0.

No entanto, só conseguiu se firmar na equipe principal a partir da temporada 2001/02, quando se tornou titular do treinador Paul Hart. Foi as redes pela primeira vez na derrota contra o Barnsley, pela Championship, no dia 18 de agosto de 2001. Seu bom desempenho o transformou em um alvo concorrido de clubes maiores. E ainda no meio da temporada, após apenas 33 partidas e 4 gols pelo Nottingham Forest, ocorreu sua primeira transferência.

Go to Magpies

O Newcastle acreditou no garoto e desembolsou a bagatela de 5 milhões de libras por sua contratação. Estreou no dia 8 de fevereiro de 2002, vindo do banco na vitória por 3×1 sobre o Southampton. Foi titular já no jogo seguinte, vitória sobre o Sunderland. E oscilou entre titulares e reservas até o fim da primeira temporada, onde atuou 12 vezes mas não marcou gols. Ajudou os Magpies a terminar a temporada em quarto lugar, com 71 pontos, classificando-se assim para a Liga dos Campeões da temporada seguinte.

O ano mágico de JJ

A época começou bem. Na eliminatória da Champions League, o adversário seria o bósnio Zeljeznicar. Jenas foi titular na vitória fora de casa por 1×0 e poupado no duelo em casa, vitória por 4×0 e assim foi sacramentada a vaga na primeira fase de grupos do torneio. Vale ressaltar aqui o esquadrão que os Magpies dispunham no período, com Shay Given, Jonathan Woodgate, Nolberto Solano, Kieron Dyer, Gary Speed, Laurent Robert, Craig Bellamy e o artilheiro Alan Shearer. Jenas ganhou a camisa 7 na temporada e se tornou o box-to-box da equipe, um dos mais promissores e decisivos jovens do país.

Na maior competição de clubes do continente, os adversários do Newcastle seriam Juventus, Dínamo de Kiev e Feyenoord. A equipe passou em segundo lugar no grupo, atrás dos italianos. Veio então a segunda fase de grupos, e os combates se tornaram ainda mais duros: Barcelona, Internazionale e Bayer Leverkusen. A classificação não veio e o sonho dos Magpies acabou precocemente, com o terceiro posto na chave. Jenas, agora um titular consolidado da equipe, atuou em 8 jogos da Champions, sem ir às redes.

Entretanto, seu desempenho na Premier League foi brilhante. Em 32 atuações (23 como titular), marcou 6 gols. Um deles, em White Hart Lane, na vitória do Newcastle sobre o Tottenham por 1×0, dia 28/01/2003. Só pra ressaltar, o gol foi assinalado nos acréscimos do segundo tempo. O clube terminou a temporada em terceiro lugar, disputado novamente a Liga dos Campeões. E Jenas foi eleito o melhor jogador jovem da liga, prêmio recentemente conquistado por Harry Kane. Foram no total 41 jogos e 7 gols.

Em céu de brigadeiro

Tudo estava muito lindo, mas o castelo começou a ruir na temporada 2003/04. O Newcastle foi eliminado na fase eliminatória da Liga dos Campeões, antes mesmo da fase de grupos. Após vencer por 1×0 o Partizan fora de casa, o jogo em St James Park deveria apenas sacramentar a vaga. Deveria. Derrota em casa pelo mesmo placar e consequente eliminação na disputa por pênaltis. Seguiu como titular da equipe, mas sem o mesmo brilho. Caminhou com os Magpies até as quartas de final da Copa da Uefa (atual Liga Europa), mas se lesionou e perdeu o fim da temporada. Viu sua equipe ser eliminada nas semifinais para o Olympique de Marselha. Na Liga, o time terminou em sexto lugar. Em 46 partidas, 3 gols.

2004/05 era para ser a temporada de afirmação da equipe, de volta a Liga dos Campeões. Mas nada deu certo e a relação de desgaste de Jenas com o clube apareceu de modo forte. Cobrado para ser um jogador mais decisivo, não conseguia render como em sua chegada ao clube. Apesar das críticas, se manteve regularmente entre os 11, disputando 48 embates na temporada, anotando 2 tentos. Mas o peso tornava-se insustentável e sua insatisfação foi deflagrada ao fim da época.

O ponto final

Jenas se mostrou disposto a sair e mesmo sendo o vice-capitão da equipe, os esforços do treinador Graeme Souness foram em vão. JJ quis deixar o clube e chegou a dizer que a estadia na cidade era como “viver em um aquário”. Insatisfeito, levantou o interesse do Tottenham, em um audacioso processo de reestruturação. No dia 31 de agosto de 2005 foi confirmada sua transferência dos Magpies para os Spurs, por 7 milhões de libras, após 152 aparições e 12 gols.

Uma nova história

Jenas chegaria ao Tottenham para ser o condutor do meio-campo da equipe. Sua chegada praticamente selou a saída do português Pedro Mendes, que tinha fracassado na mesma missão. Disputando vaga na equipe com Davids, Brown e Davis, não foi difícil para Jenas se firmar no time, seja como meia central ou como um winger pela direita. Tornou-se peça chave no time que terminaria a Premier League em quinto lugar. Foram 32 jogos e 7 gols feitos.

Na temporada seguinte, se firmaria como o principal nome da armação do time. Numa comparação torta, a expectativa é de que Jenas fosse o que Gerrard era para o Liverpool e Lampard para o Chelsea, algo que nunca chegou a se concretizar. Mas se a regularidade não era seu forte, nos clássicos Jenas sempre mostrava seu valor. A vítima preferida? O Arsenal, obviamente. No dia 21 de abril de 2007 marcou já aos 49 do 2º tempo o gol de empate do Tottenham em um espetacular 2×2 em White Hart Lane. E o mais brilhante momento ainda estava por vir.

Fundamental 

A Copa da Liga 2007/08 foi o último título conquistado pelo Tottenham e a fase final não deixou dúvidas sobre quem é o melhor. Antes da decisão contra o Chelsea (onde Jenas deu a assistência para o gol do título de Woodgate), as semifinais contra o Arsenal foram talvez o melhor momento de JJ pelos Spurs. Na partida de ida, no Emirates, marcou o gol do Tottenham no empate por 1×1. E sua atuação no jogo de volta foi absolutamente épica.

Logo aos 3 minutos, arrancou pelo meio e finalizou rasteiro no canto, abrindo o placar. Instantes depois, bateu a falta que Bendtner desviou contra, fazendo 2×0. Participou ainda do início do gol de Aaron Lennon e já no fim do jogo, fez lance mágico pela direita, driblando dois adversários e servindo para Steed Malbranque debaixo das traves completar e botar o último prego no caixão do rival, naquele maravilhoso 5×1. Os erros de passe, a morosidade em alguns jogos, tudo isso parecia ter sido esquecido. Jenas se tornara um jogador vital nos Spurs.

Lutando pela posição

O camisa 8 completou 4 temporadas como titular, mas em 2009-10 o Tottenham sofreu uma revolução técnica e seu lugar no time foi ocupado. A verdade é que ainda foi um elemento útil, entrando regularmente na equipe e cobrindo lesões e suspensões dos titulares. Mas naquele meio-campo formado por Huddlestone, Modric, Lennon e Bale, não havia espaço para Jenas. Ainda assim, jogou 23 vezes na temporada, marcando um gol.

Na época seguinte, lá estava ele em meio ao sonho da Champions League, torneio que já havia disputado com o Newcastle. Reserva muito utilizado no início da época, viu seu número de atuações reduzir ao fim da temporada, especialmente após a derrota para o Real Madrid por 4×0, onde foi titular e jogou os 90 minutos. O desgaste na relação entre clube e jogador era evidente e o treinador Harry Redknapp não gozava mais da mesma admiração por seu futebol.

Empréstimos

Colocado como disponível para negociação, atraiu o interesse de alguns clubes, mas as negociações não evoluíram. Acabaria emprestado para o Aston Villa, onde atuou em toda a temporada 2011/12. Entretanto, lesões e o baixo rendimento não o permitiram ter sequência, entrando em campo apenas 3 vezes pelo clube de Birmingham. De volta ao Tottenham para a temporada 2012/13, também não fazia parte dos planos de André Villas-Boas. Entrou em campo pela última vez com a camisa dos Spurs no dia 25/08/2012, no empate em 1×1 contra o West Brom. Foi o ponto final de uma trajetória que durou 7 temporadas, com 202 partidas e 26 gols.

A volta pra casa e o precoce fim

Ainda vinculado ao Tottenham, foi emprestado ao Nottingham Forest, seu clube de origem. Atuou 7 vezes pela equipe, fez 1 gol em seu empréstimo de curta duração. Ao final do contrato com o Forest, foi reemprestado pelos Spurs, dessa vez para o Queens Park Rangers, que lutava contra o rebaixamento na Premier League e era comandado por Harry Redknapp, seu antigo treinador nos Spurs. Foram 12 jogos, 2 gols na temporada e a consumação de que a equipe iria disputar a Championship na época seguinte.

Assinou com o QPR contrato de um ano, após o fim de seu vínculo com o Tottenham. Oscilando entre titularidade e suplência na equipe, fez 28 jogos na temporada e ajudou o Rangers a conquistar o título da Championship, retornando à primeira divisão. Infelizmente, rompeu os ligamentos do joelho no dia 12 de abril de 2014, logo aos 13 minutos do jogo que terminaria com vitória por 5×2 de seu QPR sobre o seu antigo Nottingham Forest. Realizou todo o seu processo de recuperação no clube, mesmo após o fim do seu contrato, e optou por pendurar as chuteiras com apenas 32 anos de idade.

English Team

Jenas pode se considerar um afortunado. Apesar de nunca ter se tornado o craque que as expectativas de seu início apontavam, conseguiu sucesso em pelo menos dois grandes clubes do país e foi frequentemente convocado para defender seu país, entre 2003 e 2009. Estreou em amistoso contra a Austrália em 11/02/2003, entrando no intervalo da derrota por 3×1. Fez parte do elenco inglês na Copa do Mundo de 2006, mas não chegou a atuar no Mundial. Entre amistosos, eliminatórias da Copa do Mundo e da Euro, entrou em campo 21 vezes, fez 1 gol em 2008, contra a Suíça, e apareceu pela última vez com a camisa branca na derrota por 1×0 para o Brasil, em 14 de novembro de 2009.

Triste é constatar que o irregular JJ seria hoje um termômetro de talento em meio ao fraco meio-campo dos Spurs. Nossos efusivos agradecimentos ao atleta, que se notabilizou por crescer em clássicos, mesmo que oscilasse muito seu rendimento e nunca tenha conseguido levar o Tottenham ao próximo patamar. Jenas é um comentarista eventual de jogos da BBC e desejamos todo o sucesso em sua vida, após agradecer pelos serviços prestados.

 

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Emerson Araujo

Jornalista, aficionado por futebol, torcedor do Cruzeiro (de nascença) e do Tottenham (desde 2005). Orgulhosamente, um dos fundadores da Tottenham Brasil e colaborador do Guerreiro dos Gramados, site voltado a cruzeirenses. Odeia Guardiolismos e acredita que atacante tem que fazer gol. Acredita que todo dia é um 7 a 1 diferente e não há nada de mau nisso. Exímio treinador no Football Manager.

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  • Vinícius

    Tava esperando por um TB perfil dele. Que nostalgia que me deu aquele meio de campo formado por Sandro, Modric, Lennon, Van der Vaart e Bale. Hoje temos que nos contentar com Masons, Bentalebs e Lamelas da vida

  • fernando c.

    Irritou mto mas tambem encatou. Confessi q tenho mais saudad do hudd. Modric eh incomparavel nos ultimo anos. A linha parker e modric era boa demais.
    Jenas brilhou nakele derby e ajudou a afundar o time rico sem historia.