Tottenham 4×3 Leicester – Spurs batem o lanterna com hat-trick de Kane

Jogo em casa contra o lanterna do campeonato e com o time inteiro à disposição – “inteiro” porque não, o Soldado não conta. Script mais do que óbvio pra uma vitória sem dificuldades. Mas diante de toda e qualquer regra, o Tottenham é exceção.

Pochettino conseguiu repetir a escalação dos Spurs pela quarta vez seguida na temporada, com Townsend se consolidando na vaga que era de Lamela e Dier como parceiro de Vertonghen lá atrás. O técnico, porém, teve de mudar o time já no começo da partida. Ao tentar desarmar Vardy em contra-ataque perigoso, Walker deu um forte carrinho e atingiu com o joelho a cabeça do goleiro Lloris que saía para abafar. Contundido, o francês deu lugar a Vorm.

Por acaso, a regularidade na disposição dos jogadores de linha pareceu que finalmente faria algum efeito, uma vez que Kane (sempre ele) já deixou o dele com cinco minutos de bola rolando, chutando desajeitado para o gol após a zaga do Leicester desviar uma cobrança do córner esquerdo.

Menos de cinco minutos depois de abrir o placar, Walker fez ótima jogada pelo flanco direito e cruzou rasteiro pra Kane (sempre, sempre ele). Com muita sorte, o chute do camisa 18 desviou no rosto de um defensor e foi lentamente morrer do outro lado da meta, sem chances para Schmeichel. Kane, inclusive, ainda quase fez o terceiro dele antes dos 15 minutos de jogo, mas foi pego em posição de impedimento.

Com o placar favorável e um futebol convincente, parecia que a regra citada lá no primeiro parágrafo viria a ser aplicada. Porém, como sempre o Tottenham cadenciou, baixou a guarda e adormeceu. Aos 38′, Vardy descontou para o Leicester após uma bela jogada encaixada pelos visitantes que pegou a zaga dos Spurs desorganizada.

O Leicester viu que havia chance de roubar os preciosos pontos no White Hart Lane. Logo no início do segundo tempo, Ulloa perdeu uma chance na cara do gol. Rose desviou o chute do argentino para escanteio. Na cobrança, o zagueiro Wes Morgan apareceu sozinho no miolo da área e estufou as redes para empatar o jogo e evidenciar a superioridade tática e emocional do Leicester durante a partida.

Com o Tottenham sendo praticamente nulo em seus setores de criação e contenção, numa péssima partida de Vertonghen, Eriksen, Bentaleb e Chadli,  essa superioridade dos visitantes se estendeu e foi, com sorte, suportada pelo Tottenham, até os 64 minutos de jogo. Bentaleb lançou Rose na esquerda e tomou a frente do marcador ao entrar na área. O lateral foi derrubado e Mike Dean apontou para o centro da área. Kane (sempre, sempre, sempre ele) se apresentou e colocou Schmeichel para o lado direito, enquanto a bola encontrava as redes do lado oposto.

O terceiro gol foi um grande baque para o Leicester, que até tentou colocar Mahrez para dar força aos ataques pelos lados mas pouco produziu. Com Paulinho em campo, o Tottenham ganhou um meio de campo mais encorporado e soube trabalhar a bola muito bem – tão bem que chegou ao quarto gol, com jogada do volante brasileiro para Eriksen, que acabou em lambança e um gol contra de Morgan.

Faltando dois minutos para o apito final, Nugent conseguiu marcar o terceiro dos Foxes após falha grotesca de Vertonghen. Mas não havia tempo para mais nada – digo, só para Harry Kane se dirigir até o árbitro na hora do sopro e pedir a bola do jogo para levá-la pra casa.

Com os três pontos não tão merecidos na conta – agora contabilizando 53 -, o Tottenham segue na briga pelas vagas em competições europeias. E só volta a jogar no dia 4 de abril, contra o Burnley no Turf Moor.

INFORMAÇÕES:

 

TOTTENHAM (4-5-1): Lloris (Vorm, 4′); Walker, Dier, Vertonghen, Rose; Mason (Dembélé, 84′), Bentaleb, Townsend (Paulinho, 58′), Eriksen, Chadli; Kane.

Reservas não utilizados: Chiriches, Lamela, Adebayor e Davies.

 

LEICESTER: (4-5-1): Schmeichel; Schlupp, Upson (Wasilewski, 45′), Huth (Mahrez, 76′), Morgan, De Laet; Vardy, Cambiasso, James, Nugent; Ulloa.

Reservas não utilizados: Schwarzer, Konchesky, Drinkwater, King e Kramaric.

 

GOLS: Kane 5′, 10′ e 64′ (pen) e Morgan 83′ (contra) (TOT); Vardy 38′, Morgan 50′ e Nugent 90′ (LEI).

CARTÕES AMARELOS: Chadli e Rose (TOT); Nugent (LEI).

PÚBLICO: 35.950

ÁRBITRO: Mike Dean

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  • wagner

    valeu pelos 3 pts e pelos 3 gols do Kane. O resto foi mais do mesmo: defesa entregando a paçoca, meio de campo perdido e espaço nas alas.

  • Marcio Assuncao

    Kane tem jogado muito e se não merecer o título de Jogador do Campeonato, dada a campanha cambaleante dos Spurs, certamente ficará com a de Revelação.
    No entanto, é ainda muito cedo para se fazer previsões maravilhosas sobre sua carreira.
    Quem acompanha os jogos do Tottenham há mais tempo sabe que ele é um jogador diferenciado: rápido, com bom drible, ótimo posicionamento e excelente finalização. Porém é preciso reconhecer que, se Soldado e Adebayor (ressuscitado após a saída de AVB) não tivessem deixado a desejar, Kane não teria tido a oportunidade de se tornar o que é.
    Kane está sim numa grande fase. E jogadores de sua posição vivem de fases, pois seu ofício é marcar gols. Da mesma forma, vi surgir e desaparecer matadores como “El Nino” Torres, Luca Toni, Fernando Lllorente e Huntelaar. Kane tem potencial para ir muito além destes, mas é forçoso reconhecer que ainda está aquém do nível de um Suarez ou de um Benzema.
    Então muita calma nessa hora. Sua evolução depende sim de um bom meio de campo para municiá-lo, o que parece incompatível com a capacidade da dupla Chadli – Towsend e a dependência exclusiva dos lampejos de genialidade de Eriksen. Se os Spurs conseguirem a tão sonhada vaga na próxima UCL, talvez a janela de transferências traga boas surpresas para esse setor.