Existe lado bom?

É difícil pensar a respeito depois que o time é escorraçado por 3 a 0 em um jogo que era para ser um embate direto entre dois postulantes às primeiras colocações. O que se viu em Old Trafford nesse domingo foi ridículo, digno de pena e nojo. Um time esbanjando morosidade, preguiça e atrelando tudo isso a um péssimo futebol, contra um adversário de bons valores individuais, mas que construiu seu placar pela simples e manifesta ausência de obstáculos. O Tottenham deu três gols ao Manchester, não há muito o que analisar.

Abandonando o sentimento de revolta, é necessário se fazer primeiro uma análise fria do que foi a temporada para o Tottenham. O grande momento foi termos achado Harry Kane, um excelente atacante que poderia ter se perdido em nossa categoria de base por pura má utilização dos últimos treineiros, sobretudo o português André Villas-Boas, a quem considero o grande culpado por esse imenso atraso que o Tottenham sofreu nas últimas temporadas. Felizmente, em meio ao controverso Tim Sherwood e ao nada mais que mediano Pochettino, Kane está se mostrando um jogador fabuloso, empilhou gols e se tornou a sensação do futebol inglês – quiçá europeu – no momento.

Em algumas ocasiões esse Tottenham pareceu ser um time. Nas vitórias contra Arsenal e Chelsea, principalmente. Mas em tantas outras vem mostrando sua fraqueza, tropeçando contra uma série de equipes da parte de baixo da tabela e sendo eliminado precocemente na FA Cup e na Liga Europa. Na Copa da Liga, a chegada à decisão de nada adiantou, pois a perda do título deixa um sabor amargo na boca de todos. E para efeitos práticos, não ganhamos nada com isso. No momento, ocupamos o sétimo lugar na tabela com 50 pontos, 6 atrás do Manchester United, que fecha o top 4. Mas afinal, ficar fora até da Liga Europa seria um fracasso retumbante ou tem algo bom?

Voltando seis anos no tempo, em 2008/09 o treinador era Harry Redknapp, o Tottenham tinha realizado uma campanha bem medíocre na Premier League e não conseguiu vaga nas competições europeias. Disputou apenas a Liga e as duas taças domésticas na temporada 2009/10. Sabem o que aconteceu nessa temporada com cara de frustração? Terminamos em quarto na Premier League e alcançamos pela única vez em nossa história, a Champions League através da Premier League. Então, na análise fria, existe sim lado bom nesse aparente fracasso.

Restam nove jogos em disputa, o suficiente para que o time consiga uma improvável arrancada e atinja a quarta colocação, o suficiente também para que continuemos moribundos nessa campanha de altos e baixos que não nos levará a lugar nenhum. Fato é, se quiserem a vaga na Liga Europa apenas para disputar, como fazemos todo ano, é mais útil mesmo ficar de fora e poder preparar melhor o time para voltar aos bons momentos. Usar jogadores da base e fazer uma espécie de ‘peneira’ nesse momento seria a minha ideia para um elenco fraco e repleto de pontos fracos. Gente como Yedlin, Chiriches, Capoue, Paulinho, Lamela e Adebayor precisam estar em campo, seja para se mostrarem opções válidas ou para assinarem logo sua ida para longe de White Hart Lane.

Tic Tac, Pochettino, Levy não hesita muito em mudar o comandante caso as coisas sigam mal. Tempo é dinheiro e alguns jogadores já sugaram muito nossos cofres e nossa paciência. Menos toque de bola, menos ‘posesión’, mais futebol insinuante, agressivo e gols. A torcida do Tottenham sabe muito bem o que quer, gente mais graduada que você já rodou nessa tentativa de mudar os cursos da história e o tradicional estilo do time. O tic tac do relógio, pode também representar uma bomba. E nós dois sabemos nas mãos de quem ela explodirá.

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Emerson Araujo

Jornalista, aficionado por futebol, torcedor do Cruzeiro (de nascença) e do Tottenham (desde 2005). Orgulhosamente, um dos fundadores da Tottenham Brasil e colaborador do Guerreiro dos Gramados, site voltado a cruzeirenses. Odeia Guardiolismos e acredita que atacante tem que fazer gol. Acredita que todo dia é um 7 a 1 diferente e não há nada de mau nisso. Exímio treinador no Football Manager.

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  • wagner

    a questão na minha opinião não é ficar fora da EL pra melhorar rendimento na BPL. a questão é tem que existir reservas com condições de entrar e mudar/melhorar o time. não temos isso. os 11 que entraram hj é ( provavelmente) o melhor que dá pra escalar e eles foram, no mínimo, desastrosos. e esses mesmos 11 bateram chelsea com propriedade ( apesar que era o Fazio no lugar do Dier) e viraram contra o arsenal.

  • Emerson Araujo

    Um time que custa a ter 11, não vai da noite pro dia passar a ter um bom time titular e bons reservas pra rodar. Acho que o time precisa parar e se organizar, planejar de verdade o que quer no time e menos por ocasião.

  • Vinícius

    O planejamento nas duas últimas temporadas foi pior do que de time brasileiro. Primeiro, na temporada passada Vilas Boas teve pouca liberdade de escolher os jogadores como ele mesmo já disse uma vez (não estou defendendo ele, mas só do técnico não ter participação nas transferências já dá pra saber que ia dar m…), segundo, as contratações foram um fracasso, não era necessário uma reformulação, contratando 7 jogadores medianos sem nenhuma experiência na premier league, se perdemos Bale, um craque, teríamos que contratar um craque pra repor e não fazer uma reformulação, que é algo arriscado, e geralmente só dá certo em um time que está em má fase, dessa forma perdemos Bale e os 100 milhões de libras que ganhamos com ele. Terceiro, contratar um treinador de time pequeno é pensar pequeno, até Tim Sherwood ou AVB seria melhor que esse argentino que nomeou Kaboul capitão, ou melhor, até Redknapp!

  • alan

    Um time que tem Chadli como titular na maior parte de seus jogos não pode chegar a lugar algum.

  • José Guilherme

    Tomo as palavras do Alan como as minhas. Definitivamente, um time onde Chadli – e Townsend, diga-se de passagem – figuram entre os onze titulares por boa parte da temporada, almejando uma UCL…vai até onde? Uai, até uma sexta colocação mesmo. Quiçá uma vaga para a EL. Nada além. Defronte o comando do time, Pochettino, treinador sem garra, sem expressão – com um certo domínio tático, de fato – porém, péssimo em controle emocional do elenco. E digo mais, se continuarmos com essas frustrações sucessivas – temporada após temporada deixando escapar vagas e títulos – não conseguiremos segurar também Hugo Lloris, um dos melhores goleiros em atuação do mundo, por muito mais tempo. Aí o bixo pega, porque sem ele, vixe. Quantas vezes o homem nos salvou? Esse talvez seja um dos meus maiores medos haha. Vamos ver. O que esquecemos é que durante essa temporada, o homem responsável pelas contratações do Southampton está conosco agora nos bastidores. Talvez vejamos boas surpresas até o começo da próxima temporada. Mas, pra essa, vai ter Chadli sim; e se acharmos ruim, vai ter Townsend e tudo mais. E essa sensação de ter engolido um tijolo baiano em trinta minutos assistindo uma partida de futebol.