Sheffield United: o obstáculo para Wembley

Quando vencemos o Newcastle na fase anterior da Capital One Cup e tivemos a confirmação dos confrontos, não houve sequer um torcedor Yid que não esboçou um sorriso ao ver os cruzamentos da semifinal. Afinal, classificaram-se para o atual estágio Tottenham, Chelsea, Liverpool e Sheffield United. A sorte, aquela que raramente nos sorri, apareceu bonita e faceira, nos colocando frente a frente com o adversário da terceira divisão, enquanto Reds e Blues se matam no outro duelo. Vaga carimbada e tranquila na semifinal, certo? Jamais.

A perseguida (Foto: Reprodução/site da competição)

Entendo que o ‘boom’ do Tottenham no Brasil se deu em 2010, quando a equipe disputou pela primeira (e única) vez a fase moderna da Champions League, com Modric e Bale desfilando seu talento e encantando o mundo. Porém, quem não conhece o Tottenham precisa entender uma coisa simples. Nada pra gente é fácil, e isso não tem nada a ver com papo de corinthiano (não mesmo). A questão é que tudo que puder, vai dar errado pra gente. Nós somos o garoto esforçado da escola, aquele que se mata pra pegar alguma garota e raramente consegue. Temos uma capacidade inata de colocar tudo a perder. Mas apesar disso tudo, seguimos tentando, valorosos e determinados que somos. Uma hora, o jogo vai virar e vamos estar por cima. É o que esperamos e acreditamos.

Passadas as metáforas duvidosas que visam (e dificilmente terão sucesso) explicar qual é o DNA do nosso clube, estamos as vésperas do jogo de ida contra o Sheffield Utd pela semifinal da já tradicional Copa da Liga. Essa competição representa o último título que conquistamos, na já longínqua temporada 2007/08. E tendo agora um adversário da terceirona no caminho, é inevitável a lembrança da última vez que os Spurs chegaram às semifinais desse torneio. Em 2008/09, defendendo o título, encararíamos o Burnley, equipe da segunda divisão e que lutava pela promoção na Championship. O primeiro jogo, em White Hart Lane, você confere no vídeo abaixo.

GOLS – JOGO DE IDA:

Mesmo jogando em casa, o Tottenham fez um primeiro tempo sofrível na ocasião. Sofreu um gol e não conseguia criar, nem sonhava em chegar ao gol adversário com qualidade. Na segunda etapa tudo mudou e usando de bons cruzamentos e jogadas individuais, a goleada foi construída por Dawson, O’Hara, Pavlyuchenko e um gol conta de Duff. Outro fato interessante desse jogo é que a data marcou o retorno de Defoe ao Tottenham, após um ano no Portsmouth. O jogador foi apresentado antes do jogo e assistiu das tribunas a boa vitória. Apesar do susto, o triunfo por 4×1 não deixava dúvidas de quem seria o primeiro finalista. Bastava protocolar a classificação no Turf Moor, 15 dias depois. Mas o que aconteceu lá, foi bem mais difícil que o previsto. Veja abaixo.

GOLS – JOGO DE VOLTA:

Pois bem, o time de Redknapp entrou relaxado, tranquilo, com o resultado na mão. E por muito pouco não foi castigado e saiu eliminado da competição. O regulamento da Carling Cup na época, apontava que em caso de igualdade no saldo de gols do confronto, o gol marcado fora de casa só valeria como critério de desempate após a prorrogação. E nos salvamos nessa inconsistência do regulamento, pois se fossem observadas as regras gerais de competição, teríamos dado adeus no tempo normal, muito pela insegurança do goleiro Ben Alnwick, aposta fracassada do nosso treinador. Blake, McCann e Jay Rodriguez (atualmente no Southampton) fizeram os gols do time da casa, abrindo 3a0 nos 90 regulamentares. Pav e Defoe nos salvaram do desastre no tempo extra.

Fica de lição para toda a equipe entrar bem ligada para um grande resultado nessa quarta (21), contra o Sheffield. Tecnicamente, somos superiores, mas trata-se de um mata-mata e precisamos construir um bom placar em casa, para confirmar na partida de volta. Sem facilitismos, sem ‘já ganhou’, sem confiança exacerbada. Futebol se ganha no campo e quando o Tottenham está envolvido, todo drama faz parte. A nota triste é que depois dessa bela classificação, disputamos a final contra o Manchester United. Após um insistente 0x0 por 120 minutos, fomos derrotados por 4×1 nas cobranças de pênalti. Que tenhamos agora um destino mais vitorioso. COYS!

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Emerson Araujo

Jornalista, aficionado por futebol, torcedor do Cruzeiro (de nascença) e do Tottenham (desde 2005). Orgulhosamente, um dos fundadores da Tottenham Brasil e colaborador do Guerreiro dos Gramados, site voltado a cruzeirenses. Odeia Guardiolismos e acredita que atacante tem que fazer gol. Acredita que todo dia é um 7 a 1 diferente e não há nada de mau nisso. Exímio treinador no Football Manager.

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