Chega de fracassar

Desde que o Tottenham disputou a UEFA Champions League, na, aparentemente, longínqua, temporada 2010/2011, a equipe vem dando muita dor de cabeça no cenário europeu: mas não aos adversários, e sim, aos próprios torcedores.

Os Spurs estiveram sob os holofotes de todo o mundo naquela temporada, com um futebol ofensivo e um galês que, ainda de lateral esquerdo, já assustava àqueles que não conheciam a equipe londrina. Esperava-se que a equipe só crescesse dali em diante, era a tendência: a equipe estava trazendo nomes importantes como Van der Vaart e as apostas Modric e Bale estavam virando realidade.

Mas desde aquela temporada, parece que nada mais dá certo e não é possível acreditar que seja só por azar. A temporada 2011/2012 parecia ser gloriosa, time aparecendo como a terceira força da Inglaterra, chegada às semifinais da FA Cup e um futebol vistoso. Mas a equipe perdeu todo o ritmo ao final daquele ano futebolístico, deixando-se ser massacrado pelo seu maior rival, o Arsenal, e ficando apenas em quarto na Premier League.

Bale, Van der Vaart e Modric formaram um trio fortíssimo nos Spurs

Por que apenas? Porque aconteceu o que é possível de chamar de aborto inesperado do futebol. O Tottenham teria garantido a vaga nos play-offs da UCL da temporada seguinte, não fosse o Chelsea, 6º colocado da competição, ganhar a competição intercontinental daquela temporada, contra todos os prognósticos, sob o comando de seu treinador interino, Roberto Di Matteo.

Parece que esse foi o marco para a derrocada da equipe. Na temporada 2012/2013, sob o comando do respaldado André Villas-Boas, as metas eram altas, ousadas: ganhar a UEFA Europa League e se classificar para a UCL. Mesmo tendo perdido Modric para o Real Madrid, o Tottenham ainda contava com Gareth Bale, consolidado como meia atacante e um dos melhores jogadores da posição. O problema é que, ao perceber isso, AVB confiou em uma arma só, sem nenhum plano-B.

O treinador português atuava no 4-2-3-11 ou 4-2-3-Bola-No-Bale. E o galês, muitas vezes, garantiu vitórias ao Tottenham, só que um clube não poderia se prender só a isso. A equipe se manteve durante muito tempo na 4ª colocação da liga nacional, mas novamente veio a “perda de fôlego” e perdemos a vaga para o Arsenal. Mais um fracasso.

Gareth Bale foi o grande nome recente do Tottenham

Temporada 2013/2014: Nova chance. AVB no comando, para continuar seu trabalho, mas Bale se foi, por 100 milhões de euros ao Real Madrid. A equipe se reforçou: Capoue, Chadli, Lamela, Eriksen, Soldado, Paulinho, nomes aparentemente excelentes para tornar os Spurs uma equipe forte em todos os setores. Mas nada deu certo. Nenhum nome engrenou como se esperava e o resultado foi pior do que o que havia se sucedendo: um sexto lugar na Premier League e constantes goleadas contra os times que se estabilizaram no G-4. Sonoros 27 a 2 contra Manchester City, Liverpool, Chelsea e Arsenal. AVB durou só até duas dessas goleadas, Tim Sherwood comandou o grogue “boxeador” Yiddo até o final da temporada.

Mas a temporada 2014/2015 era a da redenção. “Dessa vez os reforços vão funcionar”. Mauricio Pochettino, de boa campanha no Southampton, foi contratado, junto com seus assistentes, para comandar os Spurs à glória. Na prática, parecia que daria certo: boa pré-temporada, 4 vitórias nos primeiros 4 jogos, mas daí em diante não dá para saber o que é o Tottenham. A equipe oscila muito – mais para o lado ruim – e não se vê um time dentro de campo. A filosofia de Pochettino não se reflete em campo, muita posse de bola, mas pouca efetividade. Hoje estamos com 11 pontos em 9 rodadas, pior início desde o “Tottanic”, do timoneiro Juande Ramos.

Pochettino não conseguiu fazer a equipe render como gostaria

“Ah, mas perder para os grandes é normal, é difícil manter a regularidade.”. Pois é, meu amigo, provavelmente, torcedor recente do Tottenham, mas a banda não toca assim. Desde aquela temporada da UCL, o Tottenham não tem mando de campo. “É difícil ganhar em White Hart Lane: o Tottenham raramente vence lá.” – esse tem sido nosso melancólico refrão.

São decepcionantes derrotas para Newcastle’s, West Brom’s, Wigan’s, entre outros jogos desanimadores. E não é só azar… porque isso se repete constantemente, parece um DNA do clube: fracassar. Cadê o brio daquele Tottenham de pouco tempo atrás? Cadê a vontade desses jogadores? Não estamos vendo um cara que vista a camisa e fale: sou Yiddo, sim, e honrarei este manto.

Newcastle foi o responsável para esta manhã decepcionante em White Hart Lane

O jogo de hoje, derrota para o Newcastle, me desanimou completamente. Claro que vou continuar acreditando, fazendo minha função de torcedor, mas de certa forma, desisti de chegar à UCL da próxima temporada, ao menos via Premier League. Talvez consigamos embalar um bom momento na UEL, mas me parece improvável. Enquanto o Tottenham não decidir como tem que jogar e os jogadores decidirem se matar em campo, pelos seus torcedores, pela glória que já tivemos, por Bill Nichollson, tudo será difícil, improvável.

Mas estarei aqui, acompanhando esses que sempre querem nos derrubar, porque tem sido difícil torcer para esses caras. Chega de fracassar!

Desde já, e sempre, meu saudoso COYS!

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Lucas Colenghi

Mineiro de Uberaba (no Triângulo Mineiro). Licenciado em Letras com Habilitação em Português e Inglês pela UFTM. Tenho 22 anos e as duas coisas que eu mais odeio no mundo são: 1- acordar cedo; 2- escanteio curto. Gostar de futebol é legal até você resolver torcer para um time: com o Tottenham não é diferente.

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  • Caio Pereira

    Tem realmente sido difícil, esse foi mais um fds que é estragado pela derrota dos Spurs, e também estou desanimado, o time não tem raça, parece não querer ganhar. Ainda acredito que possamos chegar na UCL, pois os nossos rivais também não estão no seu melhor futebol, mas para isso temos que melhorar e muito.

    Tottenham na vitoria e na derrota. #COYS

  • Vinícius

    Acho que se o Tottenham quiser se classificar para UCL pelo menos uma vez nos próximos 5 anos precisa dá uma completa renovada, dispensar quase todos (se não todos) os jogadores que o time contratou depois da venda de Bale e investir na base e em jogadores ingleses (ou que pelo menos jogem na Inglaterra) que honrem o manto, que joguem pelo time. Eu não sinto o time tão unido como 3 ou 4 temporadas atrás. Claro o início seria bem difícil com jogadores mais fracos, mas futuramente eu acho que seríamos recompensados, e com uma folha salarial menor daria até pra acelerar a construção do novo estádio. Também teria que contratar um técnico que bote ordem na casa e que passe seu amor pelo clube para os jogadores, estilo Sherwood (embora ele não seja o melhor técnico na parte tática).

  • wagner

    As idéias do Pocchettino não casam com as características dos jogadores. E tem jogadores ali que ainda não entenderam que não são craques. Digo isso olhando pro Lamela principalmente. Muito driblinho pra trás, toquinho olhando pro outro lado e pouca produção. No meio disso tudo, o Eriksen fica sozinho na criação e isso é pouco na BPL. Assim a bola chega pouco e Adebayor e Kane vivem de lampejos individuais e Soldado morre de fome. Rose não acerta nada pela esquerda e não se pode cobrar eficiência ofensiva de um zagueiro improvisado na direita, mas que falhou d+ ontem ( os 2 gols do Newcastle passaram pelo Dier). Mais do que tudo, parece que a diretoria não cobra os jogadores, porque esse nível de atuação tem sido recorrente…

  • Thiago Vanio

    Parabéns texto muito foda, aquela temporada foi simplismente espetacular, acho que vai ser dificil de ter outra daquela, mas nossa função é acreditar, acredito eu. COYS

  • O erro dessa temporada, começou logo no planejamento inicial – e um dos mais importantes- A contratação de um técnico! Eu vivo repetindo: não tem como ter pensamento de time grande, com técnico de time pequeno. O Manchester United passou por esse mesmo pesadelo com David Moyes.

    O Pochettino é um técnico fraco, pouco ousado e teimoso. Aliado com um elenco que é encarecido de raça e vontade fica tudo muito pior. A temporada 11/12, achei que a equipe era cotadíssima a ser campeã, o time era aquele! Mas parece que o “fracasso”, ou o “morrer na praia” esta no sangue yiddo.

    Eu continuo torcendo, incentivando. Mas que é sofrível -triste-, é.