Bill Nicholson, lá em cima, deve estar se divertindo

Na teoria, a importância da data não condizia com a magnitude do jogo. Hoje, dia 23 de outubro de 2014, marca os dez anos do falecimento do maior nome da história do clube e, Bill Nicholson, por todo o seu histórico no Tottenham, merecia algo além de um jogo de Europa League contra o discreto Asteras Tripolis, da Grécia.

Noite fria de quinta feira, ingressos mais caros, alguns assentos vazios, time misto, adversário relativamente fraco. Apesar da data importante, a expectativa do que aconteceria em campo não era das melhores. Talvez só mais um jogo truncado e desalmado como estamos acostumados a acompanhar na fase de grupos dessa competição.

O Tottenham –  como supracitado -, que geralmente faz de tudo para que nos aconcheguemos no sofá e briguemos com o sono ainda antes do intervalo, de repente pareceu ter encarnado o espírito do homenageado Bill Nicholson. Jogando pra frente, trocando bolas rápidas e se movimentando agressivamente; não demorou para que o placar saísse do zero.

Rondando a intermediária adversária com inteligência, Lamela atrasou a jogada para Capoue. O francês reteve a bola e tocou simples para Harry Kane que, por sua vez, dominou adiantando a bola para perto da área e chutou cruzado no canto direito do goleiro. A bola ainda tocou na trave antes de morrer no fundo da rede.

Sem abrir mão da agressividade, os Spurs continuaram pressionando os adversários. Poucos minutos depois de fazer o primeiro gol, Kane recebeu  a bola e passou para Adebayor, na entrada da área. O togolês, marcado por três ou quatro defensores, não conseguiu dominar a bola que escapou para o lado esquerdo, indo para a meia lua.

Foi na meia lua que apareceu Lamela. Magistral, impecável, grandioso; um chute de letra impetuoso que levou a bola com uma excelência irrepreensível para dentro da meta adversária. Um gol sem precedentes, absolutamente maravilhoso e talvez histórico pela relativa importância da partida e do gol em si para o tão criticado argentino que resolveu a jogada com puro insinto e habilidade para usar os recursos que o fizeram ser contratado.

Assim acabou o primeiro tempo. Ainda houveram boas chances, inclusive com o time visitante colocando perigo e quase diminuindo o marcador se não fosse pelo gigante Lloris, que salvou a meta duas vezes.

Na segunda etapa, nada do Tottenham se resguardar. O ritmo seguiu fulminante, principalmente com Lamela pelo meio e Townsend pelos lados. O apoio de Davies e Dier deu solidez e consistência para os ataques.

Em jogada individual, Lamela se viu dentro da área sendo marcado por três oponentes. O argentino driblou e tentou chutar – bloqueado por um zagueiro. A bola subiu e cairia novamente nos pés do camisa 11 que se posicionava esperando por ela. Mas Lamela não dominou e nem deixou a bola cair; já emendou uma bomba com a perna esquerda que passou entre o primeiro poste e o goleiro que nada pôde fazer.

Com a vitória já encaminhada, os gols não pararam de sair. Dembélé recebeu a bola na direita, limpou para a esquerda e chutou forte. O goleiro defendeu, mas rebateu a bola para a pequena área. Em posição duvidosa, o oportunista Harry Kane só se deslocou para empurrar a bola para dentro e anotar seu segundo tento da noite – o quarto do Tottenham.

Quando o ritmo começou a cair, Pochettino sacou Lamela e Adebayor para colocar Eriksen e Chadli. Minutos depois, ainda tirou Townsend para a entrada de Aaron Lennon. O time, então, passou a prender mais a bola no meio de campo, mas sem perder o ímpeto ofensivo.

Numa boa jogada, aproveitando erro de posicionamento dos volantes adversários, Harry Kane recebeu a bola, entrou na área e chutou cruzado. O chute desviou em um defensor, rebateu em outro e foi lentamente saindo pela linha de fundo. O zagueiro Fazio correu atrás da bola, virou-se para a área e cruzou com precisão para quem havia começado a jogada. Kane subiu e cabeceou para o chão, sem chances para o goleiro. 5-0.

E quando o espetáculo parecia ter valido seu preço, já no apagar das luzes, o Asteras encaixou contra-ataque nas costas de Fazio. O atacante adversário saiu na cara do gol e Lloris, com astúcia, correu para a entrada da área para dar um carrinho e matar a jogada – o que fez com sucesso. Porém, a forte entrada do francês foi coroada com uma falta perigosa para o time grego e um cartão vermelho para o goleiro.

Faltando pouco mais de cinco minutos para o apito final, o desfecho não poderia ser diferente. O nome do jogo, Harry Kane, foi escolhido para vestir a camisa de Lloris e defender a meta dos Spurs. Na falta cobrada por Barrales, Kane se posicionou bem e caiu para defender a bola, mas não conseguiu segurar o chute, deixando a bola passar por baixo de seus braços tomando um frango épico.

Nos últimos minutos, Kane mostrou que seu lugar realmente não é no gol; errou tiro de meta e quase errou um “golpe de vista”. Mas nada mais atípico para fechar a noite com chave de ouro.

5-1 Tottenham, com direito a gol histórico de Lamela e hat-trick de Kane – que terminou a partida jogando como goleiro.

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  • wagner

    Interessante foi o asteras tentar lançamento cruzado o jogo todo pra ponta direita. Devem ter imaginado que o Rose seria o lateral esquerdo.