Não há do que reclamar

Há alguns anos, a maior deficiência da equipe do Tottenham é, de longe, o setor defensivo. O meio de campo muitas vezes influente e o ataque muitas vezes ineficiente também são problemas, mas não são crônicos. Se dizem que a disfunção do meio pra frente é um câncer, na defesa ela pode ser considerada como um tumor – é gritante, escancarada; está ali para ser vista.

Não me lembro de uma semana sequer em que pelo menos 80% da torcida dos Spurs tenha ficado sem reclamar da defesa do time, sem pedir encarecidamente por um zagueiro ou um lateral.

Pochettino analisou as carências do time e priorizou a reconstrução do sistema defensivo

Demorou (muito), mas chegou – ou melhor, chegaram; Dier, Davies, Vorm, Stambouli, Fazio e Yedlin. Foram seis contratações nesta janela de transferências. As seis visando o sistema defensivo.

Dier, promissor, versátil e ótimo jogador, veio pela bagatela de £4 milhões. O prospecto galês Ben Davies foi trocado com o Swansea pelo peso-morto Gylfi Sigurdsson. O goleirão Vorm chegou por £5m. Stambouli, volante de média 7,4 (WhoScored) na Ligue 1 com a camisa do Montpellier veio pelo mesmo valor. O experiente Fazio, capitão do Sevilla, acertou por £9m. E o jovem americano Yedlin, que só irá para Londres no ano que vem, fechou por volta de £2m.

São 25 milhões de libras em seis bons nomes para reforçar o setor que têm destruído partidas, temporadas e esperanças. 25 milhões de libras foi menos do que o Manchester United gastou apenas em Luke Shaw (£30 milhões).

Claro que, tendo em vista toda a pregação de ambição e ousadia por parte do Tottenham (como clube e entidade), manter a política do bom e barato é uma atitude questionável. Mas num mercado de transferências como este que presenciamos – e tivemos o desprazer de vivenciar na temporada passada -, por outro lado, é importante manter a sensatez.

Versátil, o recém-chegado Eric Dier já cavou sua vaga no time titular

O negócio é que durante o último mês, o que mais se viu foram torcedores do Tottenham (não só daqui, mas da Inglaterra também) reclamando da “péssima janela de transferências” que o clube protagonizou.

Façamos um esforço para queimar uns neurônios aqui: Pochettino chegou e viu logo de cara qual era a maior das carências da equipe. Como supracitado, não demorou para que o argentino contratasse nomes de seu desejo, e então, teoricamente, essa grande deficiência da equipe teve seu fim junto com a janela de transferências.

Não foi uma janela exuberante nem muito chamativa – foi simples, pontual e atendeu às necessidades do momento. Sim, ainda falta um atacante de peso, um homem de transição no meio de campo e um ótimo nome na ponta esquerda. Mas acima disso, falta a sensibilidade da torcida em geral para analisar, pesar e separar as prioridades e soluções das vontades e alternativas.

Claro que contratações de peso são necessárias para a continuidade do projeto de evolução do clube, mas agora estas não se fazem primordiais.

Depois de quatro anos nos Spurs, Sandro foi apresentado ao QPR no último dia da janela

No mais, um assunto esquentou bastante a cabeça de todos os torcedores no deadline day: a venda do brasileiro Sandro para o QPR.

De novo, quebremos a cabeça aqui: Imagine-se no Football Manager ou coisa assim. Você tem um jogador cujo contrato vai expirar na próxima temporada. Ele não joga nem metade da temporada há dois anos – seja por contusões ou suspensões -, é um dos maiores salários da folha de pagamentos, é irregularíssimo e tem suplentes diretos no elenco que estão à altura (se não melhores) de seu futebol.

Então, chega uma proposta para vendê-lo por 10 milhões de libras. Você opta por manter o jogador simplesmente por ser raçudo e agradar a torcida ou vendê-lo? Pense bem.

Não há do que reclamar.

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  • p.victor

    PQ VENDER O SANDRO?

    • Vinícius

      Leia o penúltimo e o último parágrafo.

      Enfim, não sei se Fazio, Yedlin e Estambouli são bons, mas o preço baixo, a falta de experiência na premier league e por virem de times fracos me deixa com dúvida se a contratação deles valerá apena. Porque se Fazio for pior do que Kaboul, Stambouli for do nível do Capoue e Yedlin não for tão bom pra concorrer com o Walker não adiantou em nada.

  • Daniel

    Não consigo ver nenhum primeiro volante que consiga ser melhor que o Sandro. Claro que faz tempo que ele não joga (mesmo recebendo um alto salário), mas numa defesa que se mostrou tão frágil vimos uma excelente opção ser vendida. Futebol é elenco e não acho que, no setor de primeiro volante, os spurs tem no momento.

  • Diego Castanha

    Mas e o Holtby que fez uma ótima pré-temporada?

  • Felipe Marzullo

    Sobre a venda de Sandro, o calculo pensando como se fossemos manager no FM faz muito sentido. No entanto, mesmo que não levemos em consideração que no fantástico jogo de manager Sandro seja um dos melhores primeiros volantes do game, poderiamos pensar em uma alternativa intermediaria. No caso, em minha opnião, deixa lo jogar.
    Ele esta irregular pelas contusões mas tbm pelo pouco aproveitamento de tecnicos como AVB que preferia um meio como o Arsenal, sem um volante de de raça usando dois que sabem jogar se revezando na cobertura.
    Ao meu ver não entendo como capoue pode ser titular dessa equipe. Eu, sendo técnico do THP no Fm tentaria noavs chances ao sandro, permitindo que um segundo volante saia mais (paulinho ou dembele, ja que sr Bentaleb é limitado) conduzindo ou tocando a bola ao lado de Eriksen, que novamente tera dificuldades na ciração de jogadas por ser o unico em um esquema pouco favoravel a seu talento.

    Não podemos nos enganar, queridos torcedores do clube londrino, a vitoria sobre o QPR foi como o titulo da copa das confederacoes pro brasil ano passado. Engano total!!!