O retorno de Harry a White Hart Lane

No ultimo domingo, sediamos nosso primeiro jogo em casa na temporada contra o QPR, que além de ser nossa primeira vitória em casa, além da atuação avassaladora, tivemos do outro lado um senhor chamado Harry Redknapp, voltando pela primeira vez a White Hart Lane desde a sua partida amarga a mais de 2 anos atrás. O homem que conseguiu nos levar a Liga dos Campeões e alcançar as quartas de final.

Nada de saudades, nem vontade de tê-lo de volta a White Hart Lane. Hoje estamos em um patamar acima e Harry faz parte do passado. Mas o velho sempre vai estar na nossa memoria por ter começado essa evolução que o time vem tendo, com algumas dificuldades, é claro.

Redknapp assumiu o cargo em outubro de 2008, Nós estávamos afundando no final da tabela e a mudança foi imediata com sua entrada. Nos guiou de volta para a parte de cima da tabela, terminando a temporada em oitavo lugar.

Em 2009/10, quando Crouch marcou de cabeça no Etihad Stadium, os Spurs alcançavam o maior feito recente do clube, a classificação que há muito tempo se sonhava em WHL – estávamos marchando para a Liga dos Campeões. Em 2010/11 conseguimos mais, a nossa primeira vitória fora de casa contra o Arsenal, o que não acontecia há 17 anos. Terminamos em primeiro no grupo Champions, incluindo os dois incríveis jogos contra a Inter de Milão, batendo o Milan no San Siro nas oitavas de final e eventualmente se curvando para o Real Madrid.

Então veio 2011/12. Depois de perder os primeiros dois jogos, fizemos uma série de 10 vitórias nos próximos 11 jogos. Ficamos a maior parte da temporada em 3 º lugar na Premier League e nossa equipe estava sendo elogiada por todos, com previsões de que o futuro dos Spurs seria mais brilhante.

Mas daí para frente o conto de fadas acabou. O velho foi para no tribunal por problemas fiscais e, logo depois de absolvido, o English Team ficou sem técnico e as especulações de que ele seria o sucessor mexeu com tudo.

Sei que eu não precisava contar toda essa história. Ele está bem viva ainda na memória dos torcedores e dessa parte para frente já nem vale a pena se lembrar mais. Olhando para trás, nesse momento, sinto-me em conflito sobre Redknapp. Ficou o sentimento amargo pela forma como tudo desabou, mas também ficaram as boas lembranças dos momentos em que ele nos levou ao topo do futebol (não literalmente).

Cada um pode ter a sua opinião quantos aos méritos do velho tanto sobre nossa ascensão da zona do rebaixamento às quartas de finais da Liga dos Campeões, quanto no buraco que o time entrou antes da sua saída e que ainda está dando trabalho para sair. Para alguns, Harry teve poucos méritos pela subida, que o elenco era bom e teria chegado com qualquer técnico. Para outros, ele fez milagres com um time mediano. Já ladeira abaixo, para muitos, o velho nos desprezou quando viu a chance de assumir o English Team. Para outros, ele foi apenas mais uma vítima do futebol que é impiedoso com qualquer desatenção ao foco do time.

Independente do seu sentimento por ele, domingo ele foi bem recebido e presenteado com uma atuação de gala, para encher os olhos e faze-lo perder algumas horas antes de dormir pensando: ”eu poderia estar lá”

 

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fernandobraz

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  • Vinícius

    Me lembro um pouco do Muricy no Fluminense. Início e meio parecido; os dois técnicos depois começaram com os times em crise (o Fluminense quase foi rebaixado em 2009 e o Tottenham estava muio mal), os 2 tiveram especulações na seleção em suas melhores fases (sendo que os 2 continuaram em seus times), quebraram tabus (o Tottenham foi pra liga dos campeõs e ganhou do Arsenal fora depois de 17 anos e o Fluminense foi campeão brasileiro depois de 26 anos) e tiveram um fim parecido, ambos com saídas conturbadas que fez dividir a torcida a respeito deles e, além do passado muito parecido, eles estão virando um “Luxemburgo” da vida, já foram os melhores de sua época, mas agora estão em decadência.

    • Fernando Braz

      a diferença e que o Harry nunca foi, tirando aquele ano, um técnico de grande expressão igual o muricy e aqui no brasil. mas realmente o sentimento dos torcedores nas duas situações deve ser parecidos.