Reciclar é preciso

Após uma temporada defensivamente assombrosa, todos esperavam reforços para o setor nessa janela de transferências. Restando ainda mais um mês para negociações, foi anunciada a contratação de Eric Dier, zagueiro inglês do Sporting Lisboa, formado no clube português e com passagens regulares por todas as seleções inglesas de base. Me parece óbvio que Dier não vem como solução, mas uma alternativa para algumas partidas no ano, tendo em vista o futuro do clube.

Eric Dier chega aos Spurs (Foto: Reprodução/ojogo)
Eric Dier chega aos Spurs (Foto: Reprodução/ojogo)

Considero uma boa aquisição e a cada dia que passa vejo mais distante a chegada de outro defensor. Se em dado momento os nomes de Lovren e Caulker eram apontados como possíveis reforços, hoje se fala apenas de um limitadíssimo José Fonte, do Southampton. Os citados anteriormente já fecharam com outras equipes e saíram do raio de ação de Pochettino. E voltando dois anos na memória eu resolvi que é necessário dar uma chance parra um jogador que muitos tratam como dispensável, chegando ao cúmulo de chamar de lixo. A missão do dia é reciclar Michael Dawson.

O capitão dos Spurs completará em novembro 31 anos, idade que permite a um zagueiro de suas características jogar normalmente. Dawson nunca foi veloz mas sempre mostrou uma inegável disposição em ajudar o clube. O atleta completará 10 anos em White Hart Lane no próximo mês de janeiro, caso siga no elenco. E pela segunda vez, se mostra muito reticente a deixar o clube, mesmo quando os treinadores lhe apontam a porta da rua. André Villas-Boas fez isso quando chegou aos Spurs, tentando se livrar do beque. Não conseguiu e três meses depois já havia mudado de opinião, com Dawson sendo titular da linha defensiva e ostentando a braçadeira da equipe.

O capitão merece mais crédito (Foto: Reprodução/express)

Confio cegamente nessa nova ‘reinvenção’ do jogador. A velocidade é um atributo desejável mas não obrigatório para um zagueiro. O sistema em que a equipe joga é que vai ditar a importância de um defensor móvel e com poder de recuperação acima da média. Nunca achei que Dawson fosse King, e nunca será. Mas sempre foi um defensor seguro, lutador e muito útil. A última temporada foi atípica e ele esteve muito aquém do esperado – junto com todos os demais homens do setor.

Portanto, menos brados por renovação. Vamos saber aproveitar o que temos, até porque não existem melhores opções no mercado. E para quem não entendeu o começo em Dier e o término em Dawson, trata-se apenas de uma prova cabal de que o estilo de jogo não foi enterrado. Eric não é veloz e vem hoje de forma parecida com que Michael chegou 9 anos atrás, sendo muito mais barato do que na ocasião. A esperança é que o presente e o futuro se desenhem na figura dos dois atletas, que podem render muito com a nossa camisa. E que com muito treinamento e um time bem armado de fato, o ano sofrível que passamos com AVB e Sherwood fique esquecido na memória. A zaga agradece, a torcida também.

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Emerson Araujo

Jornalista, aficionado por futebol, torcedor do Cruzeiro (de nascença) e do Tottenham (desde 2005). Orgulhosamente, um dos fundadores da Tottenham Brasil e colaborador do Guerreiro dos Gramados, site voltado a cruzeirenses. Odeia Guardiolismos e acredita que atacante tem que fazer gol. Acredita que todo dia é um 7 a 1 diferente e não há nada de mau nisso. Exímio treinador no Football Manager.

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