Agora vai?

Remontado após ‘era Villas-Boas, Tottenham mostra força fora de casa e se recupera na briga por vaga na próxima Uefa Champions League. A pergunta é pertinente: vai ou fica no quase mais uma vez?

The game is about glory. Tá escrito nas bancadas, num dos corredores de acesso ao gramado do White Hart Lane, é o lema da torcida do Tottenham. Muitos parecem não entender o porque de se tirar um treinador renomado e caro por um reles ex-jogador do clube e que nunca havia trabalhado como treinador de uma equipe profissional. Parecia um grande erro, uma tentativa desesperada de agitar o clima no vestiário após tomar duas goleadas vexatórias frente a Manchester City e Liverpool. E agora, o que dizer?

Sherwood está muito longe de ser um treinador de ponta. Está claramente aprendendo, o que assusta de início. Premier League não é uma competição que dê vazão para se experimentar muito. A necessidade de resultados é imediata e um desacerto na equipe poderia ser fatal. Mas a grande verdade é que Daniel Levy sabia muito bem o que estava fazendo quando demitiu AVB. O Tottenham jogava um futebol feio, ganhava na base do 1×0 com um estilo que desagradava muito o torcedor. Quando o português veio reclamar da falta de apoio da arquibancada, dava para imaginar o porquê White Hart Lane não era o caldeirão de outrora. Os adeptos precisam se enxergar nos jogadores. Via-se muita disposição, muito nervosismo, pouco futebol.

Foto: Carlos Chumbo

Sherwood iniciou desesperadamente com esse intuito. Escalando um time sem volantes no início, dava mostras de que precisava atacar para trazer apoio da torcida e dos jogadores para si. Com resultados um pouco irregulares, as coisas foram se ajeitando e ele ganhou um contrato de um ano e meio, para ter tranquilidade. Boa sacada do presidente que fez dissipar tantas especulações que rondavam o clube desde a traumática saída de Gareth Bale, em agosto. O novo treinador não quis contratar nenhum jogador durante a janela, o que causou irritação em grande parte da torcida (incluso), mas parece ter sido a pedra fundamental para ganhar o grupo.

Adebayor ressurgiu com um futebol de primeira, digno dos tempos que vestia a asquerosa camisa do rival. Jogadores como Eriksen e Chiriches vão se adaptando e se encaixando no time, enquanto Bentaleb (o irritante homem de confiança de Tim), vem ganhando espaço entre os titulares. Após vitórias sobre Everton e Newcastle, sonhar não só é possível como necessário. Apenas 7 pontos separam o Tottenham do líder da competição, Chelsea. A quinta posição na tabela é o limbo que os Spurs buscam superar. Claramente, o campeonato se separou entre o pelotão dos 7 primeiros (que sonham com vagas em competições europeias) e o resto, que segue extremamente embolado. A distância entre uma vaga na Liga dos Campeões ou uma posição modorrenta é muito curta.

Se o Tottenham quer mesmo voltar a maior competição de clubes do mundo, terá que gastar a bola um pouquinho mais. Os 4 times que estão a nossa frente já mostraram mais predicados que nós para credenciá-los a uma vaga. É hora de fazer valer a camisa, a tradição, a história. É jogar futebol da forma com que todos gostamos. Restam 12 partidas, 36 pontos. Em exatos 30 dias, o Tottenham receberá o Arsenal para o North London Derby do returno. Será a nossa trigésima partida na Premier League. No meio do caminho, Norwich, Cardiff e Chelsea. Até lá, saberemos exatamente onde podemos chegar na temporada. Ao menos essa é a esperança. Deixar de ser um time do ‘agora vai’ e de fato deslanchar, dar um passo a frente, subir de nível. Dizem por aí, que a hora é agora. Que ninguém duvide.

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Emerson Araujo

Jornalista, aficionado por futebol, torcedor do Cruzeiro (de nascença) e do Tottenham (desde 2005). Orgulhosamente, um dos fundadores da Tottenham Brasil e colaborador do Guerreiro dos Gramados, site voltado a cruzeirenses. Odeia Guardiolismos e acredita que atacante tem que fazer gol. Acredita que todo dia é um 7 a 1 diferente e não há nada de mau nisso. Exímio treinador no Football Manager.

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  • Adriel

    Acreditado que se formos eliminados, já para o Dnipro, temos chances de chegar a Champions League até porque Liverpool oscila bastante. E se Adebayor continuar assim, o final da temporada será ótimo.

  • Diego Castanha

    Acho que a melhor mudança foi realmente a entrada do Adebayor, Soldado fez poucos gols desde que chegou e a maioria foi de penalti, agora sim o time está com um ataque mais forte mas ainda acho pouco pra conseguir a vaga na Champions pois no confronto direto com os rivais da frente não conseguimos ir bem.