A segunda vez a gente também nunca esquece

O sonho de visitar White Hart Lane é algo compartilhado por praticamente todos os torcedores do Tottenham que conheço. Especialmente os que residem no Brasil e nunca tiveram essa oportunidade, vêem o estádio pela TV e se encantam com o quão histórico, bucólico e memorável pode ser esse “campinho” situado no bairro que leva o mesmo nome do clube. Nosso colaborador Carlos Chumbo visitou o estádio pela segunda vez e tratou de trazer alguns souvenires para apreciação de todos que amam os Spurs. Segue abaixo os produtos finais dessa empreitada espetacular. Cada palavra, cada foto, cada segundo do vídeo vale muito a pena. Aproveite.

“A segunda vez a gente também nunca esquece”

Seis anos se passaram desde a última vez que estive em White Hart Lane. Pra mim parece que foi ontem, mas para o clube nem tanto. Se foram os mitos Keane e Berba que tive o prazer de ver jogar na ultima visita, surgiu um novo mito, que também se foi, e o clube cresceu, cresceu muito. Os pilares do novo estádio já começam a aparecer, shopping, hotel e uma estação de metrô ao lado devem surgir junto com a nossa nova casa. O metrô é um capítulo a parte para quem deseja como eu conhecer nossa casa. WHL não fica em uma região que um corretor de imóveis classificaria com a expressão “localização privilegiada”, definitivamente não é. A estação de metrô mais próxima fica a uns 30 minutos de caminhada, coisa rara em Londres. Dessa vez resolvi ir de ônibus para fazer um percurso diferente, só abro esse assunto para os amigos que farão o que eu fiz se programarem. Na minha primeira visita cheguei com o jogo começando devido à falta de conhecimento. Vá muito antes, vale a pena. O pré-jogo e tão empolgante quanto o próprio.

A dois ou três quarteirões do estádio, em qualquer direção, você já estará se sentindo na beira do gramado, são nossas cores, símbolos e imagens de nossos ídolos por todas as partes, crianças correndo vestindo nosso manto branco e gritando na maioria das vezes “Bale! Bale! Bale!” faz parte, o tempo passa diferente para eles, para nós já ficou para trás, e deixou saudades.

A algumas quadras, já é possível comprar a revista oficial do jogo, material fantástico, quase inacreditável para quem conhece um pouco da área pensar que uma dessas sai muitas vezes a cada 3 dias, muita informação, tudo atualizado e muito caprichado, como tudo na Premier League.

A antiga loja oficial cresceu muito e agora tem companhia de outras três, duas que abrem todos os dias e uma apenas nos dias de jogos.

Um novo espaço para os sócios estava sendo inaugurado nesse dia, fui visitar (quem quiser pode dar uma olhada no vídeo que eu fiz), é um espaço para pré-jogo, com bar, lanches e TVs sintonizadas nos demais jogos da rodada, local de bate papo e o assunto da vez era a demissão de AVB. O que pude sentir era que todos estavam felizes com sua saída, muitos incomodados com o fato de que demitir um treinador no meio da temporada, sempre soa injusto para um inglês, muito mais por não estar fazendo o que é de costume do que estar perdendo grande coisa. A insatisfação pelo futebol apresentado era evidente, e para quem vai ao jogo toda semana, isso faz mais diferença do que os resultados. Isso lá é secundário, o fã vai ao campo para apoiar e ver futebol e isso é a diversão, o resultado é um mero detalhe. Nesse jogo, após um resultado péssimo, aos olhos de um brasileiro como eu, vem a confusão de não entender de onde vinha tanta alegria ao final do jogo, pais e filhos, andando saltitantes e felizes em direção ao metrô, comendo, bebendo e carregando suas sacolas do Spurs Shop (e eles compram muito, reparem a quantidade de gente no vídeo) muito felizes, o momento diversão do dia estava acabando e valeu muito a pena. Sempre vale, quando se sabe curtir e não se vincula sua alegria ao resultado da partida, e os ingleses são os melhores nisso.

Assisti ao jogo na terceira fila, é o tipo de lugar onde tudo o que acontece no jogo se torna intenso, pois toda jogada é sentida como se estivesse dentro de campo, se ouve os sons, os gritos, os xingamentos, tudo que acontece dentro de campo chega ao torcedor e isso nos torna muito mais parte do time, é muito diferente de qualquer experiência de futebol no Brasil. E fazer parte do time é outra especialidade britânica. Não existe qualquer manifestação depreciativa direcionada a um jogador, a lei é apoiar, afinal é pra isso que se está ali, e se o jogador está mal, o apoio precisa ser ainda maior.

Estar novamente em WHL foi fantástico, perceber que o clube se elevou a outro patamar idem, nossa casa ficou pequena, não a ponto de deixar de ser aconchegante, mas pequena para receber tantos visitantes, deixamos de ser um clube de bairro, quantidades enormes de estrangeiros, em uma maioria esmagadora asiáticos como em qualquer lugar turístico do mundo, parecem precisar de mais espaço, mais conforto, mais possibilidades de gastar dinheiro, dinheiro esse que é fundamental para que dentro de campo o clube possa acompanhar o apetite financeiro dos demais clubes, fundamental para que o clube suba outro degrau e passe de vez para o hall dos gigantes em todos os aspectos, incluindo o esportivo, com uma luta efetiva por títulos.

Sai do estádio satisfeito em presenciar a evolução do clube e com a certeza de ter me despedido do lendário estádio, pois em minha próxima visita, provavelmente serei recebido em uma casa nova. Talvez sem o mesmo charme, mas necessária para que nosso futuro possa repetir as glórias do passado. Quem puder visitar o clube antes disso, faça, pois a sensação de ver um jogo, a beira de nosso gramado, passar as apertadas e obsoletas catracas e estar no mítico pequeno estádio onde durante 115 anos o Tottenham construiu sua história é uma experiência inesquecível. Um dia não teremos mais esse formato de estádio e a magia da Premier League será menor. Fico feliz em saber que por mais que tudo mude, que o bairro evolua, ou o estádio se agigante, essas lembranças estarão guardadas para sempre. Na memória e no coração.

Galeria de Imagens (Fotos: Acervo Pessoal)

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Emerson Araujo

Jornalista, aficionado por futebol, torcedor do Cruzeiro (de nascença) e do Tottenham (desde 2005). Orgulhosamente, um dos fundadores da Tottenham Brasil e colaborador do Guerreiro dos Gramados, site voltado a cruzeirenses. Odeia Guardiolismos e acredita que atacante tem que fazer gol. Acredita que todo dia é um 7 a 1 diferente e não há nada de mau nisso. Exímio treinador no Football Manager.

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  • Incrível!

  • Fúria

    Mágico… Só de ver o vídeo achei incrível!

    Abraços,

    Fúria

    #COYS

  • Ficou show a edição do vídeo, tudo perfeito! Quero uma camisa dessa do Tottenham Brasil, como faço?