Quem vai ficar com Tim?

É a oportunidade de uma vida. Treinar um time do primeiro escalão inglês, um dos mais ricos do mundo, com um elenco respeitável, com muitos nomes de seleção. A chamada veio numa hora ruim, com o time desmontado após uma goleada em casa por 5×0, para um grande adversário que vem se reerguendo após alguns anos fora do protagonismo. Mas cá entre nós, como rejeitar uma convocação desse tipo?

Sou eu mesmo, o homem que certa vez fez um presidente preterir Zinedine Zidane. Francês viado. Tive minha carreira com alguns títulos, algum brilho, mas nem perto do que o meu backup realizou. Paciência, não dá pra sofrer por isso. Para Jack Walker, eu era melhor. Ao menos na época. Grande cara…

Meu primeiro jogo aqui nos Spurs foi contra o West Ham. O pessoal parecia animado sem o Manuel da padaria enchendo o saco. Quando não se tem o comando do vestiário, nem Brian Clough salva. Apesar da boa atmosfera, perdemos de virada com dois gols bobos sofridos no fim. Segundo jogo, vitória sobre os Saints na casa deles. Dois jogos em casa contra times não mais que medianos. Minha grande chance de colar nos líderes e tentar me intrometer ali nos primeiros colocados novamente. Agora vai!

Não foi. Empate com o West Brom, graças ao safado do juiz. Filho de uma quenga, expulsar o Reid naquele momento ia nos dar 20 minutos de pressão contra um adversário com um a menos. Aumentaria muito nossa chance de vitória. Mas o safado amarelou e não amarelou, nem vermelhou. Ah, quase esqueci. O careca me deu um ano e meio de contrato como treinador principal da equipe. No meu anúncio, ele disse que eu era um nome adequado para fazer uma temporada boa e emocionante. Quer emoção, cara pálida? Então senta que lá vem história!

Vai, volta, corre, para, chuta, dribla, pensa… Ao mesmo tempo! (Foto: Reprodução/telegraph)

Meus pedidos para o novo ano são simples. Que o argentino fresco comece a jogar bola e deixe de ser uma bicha. Que o negão resolva salvar nós dois no cargo. Que o filho da puta do Soldado reaprenda a finalizar no rumo do gol. Que o Lennon pare de se machucar. Que o Lloris não paçoque mais e salve o time, como é a obrigação dele. Que o Vertonghen volte logo, que o Dawson faça uns exercícios aeróbicos, que o Chadli deixe de ser uma toupeira, que os laterais se acertem, que o Sandro volte bem pra assumir a posição, que meus menino bolado da base aguentem o tranco do profissional… Haja onda pra pular.

Que todos fechem comigo. Que todos fiquem comigo nesse projeto. Sou a vadia do projeto, fico com qualquer um que me der moral. Nem mesmo o mais caro, o mais referendado dos comandantes dará jeito se o grupo não quiser. Lembro bem das lições que aprendi quando ganhamos a Premier League pelo Blackburn. Eu era o capitão daquele time, tinha que ter uma palavra boa aos rapazes. A única coisa que pensei foi: “não sejam onze boçais atrás de uma bola no campo de jogo. Todos merecem mais que onze boçais”. Hoje o meu medo, é de enxergarem no meu time doze boçais. Que eles se salvem, que eles me salvem, que todos nos salvemos. Eu não me considero um boçal, não quero ser nem parecer um boçal. Não posso agir como um.

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Emerson Araujo

Jornalista, aficionado por futebol, torcedor do Cruzeiro (de nascença) e do Tottenham (desde 2005). Orgulhosamente, um dos fundadores da Tottenham Brasil e colaborador do Guerreiro dos Gramados, site voltado a cruzeirenses. Odeia Guardiolismos e acredita que atacante tem que fazer gol. Acredita que todo dia é um 7 a 1 diferente e não há nada de mau nisso. Exímio treinador no Football Manager.

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